A estiagem em Rio Branco (AC) neste ano já é tão severa quanto a de 2005, quando 200 mil hectares de áreas abertas e quase 400 mil hectares de florestas primárias foram afetados pelos incêndios na região leste do Acre.
A baixa capacidade de captação de água do rio Acre para abastecer a cidade se agravou nos últimos dias por causa do “verão amazônico”. O engenheiro Semy Ferraz, presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saeerb), alerta que o desperdício poderá resultar no desabastecimento da cidade.
Este período do ano caracteriza-se pela baixa concentração pluviométrica, baixa umidade relativa do ar e a intensidade dos ventos, que costumam favorecer o aumento das ocorrências de incêndios florestais na região.
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O nível do rio está tão baixo que o Saerb não consegue mais captar água a partir de sua torre e se vale de bombas flutuantes. A água tratada é consumida pelos 305 mil habitantes de Rio Branco.
Apesar de ter firmado dentro e fora do país a imagem de um estado comprometido com a defesa do meio ambiente, o governo do Acre nada fez até hoje para evitar os alertas de que o rio Acre está morrendo.
As duas margens do rio, da fronteira com Peru e Bolívia até desembocar no rio Purus, em Boca do Acre (AM), foram devastadas pelos pecuaristas. Não existe nenhuma iniciativa de reflorestamento e elas ainda continuam sofrendo danos ambientais.
O rio Acre continua a receber o esgoto de todas as cidades que banha e abastece. As autoridades não são capazes nem de respeitar as leis e proteger um aqüífero existente em Rio Branco, sobre o qual já foram erguidas várias edificações, incluindo hospital e rodoviária.
Em Rio Branco, a estação de coleta de dados do Instituto Nacional de Meteorologia registrou, entre 1º de junho e 11 de agosto de 2005, 31,5mm de precipitação. No mesmo período deste ano, a precipitação foi de 32,8mm.
De acordo com o Boletim dos Focos de Calor e Clima do governo do Acre, não há previsão de chuva. O rio Acre abastece as cidades de Assis Brasil, Brasiléia, Xapuri e Rio Branco.
Em Brasiléia, na fronteira com a Bolívia, a cota do rio é de 1,44m. Nesta mesma época, no ano passado, era de 1,74m. Em Rio Branco, o rio Acre está com profundidade de 2,06 m – era de 1,83 m em agosto de 2005.
A estiagem amazônica afeta também outros rios do Acre. O rio Iaco, no município de Sena Madureira, está na cota de 2,13 m. O Juruá, em Cruzeiro do Sul, no extremo-oeste brasileiro, está na cota de 4,18m.
A capital do Acre continua sob densa nuvem de fumaça. Entre a segunda-feira (09) e esta sexta-feira (13) foram registrados 345 focos de calor no Acre. Os municípios com maior incidência de focos neste período foram Rodrigues Alves (49), Sena Madureira (36), Porto Acre (22).
Em 2005, eram 1781 focos de calor em todo o Estado. Os municípios com maior incidência de focos eram Plácido de Castro (405), Acrelândia (243), Senador Guiomard (167), Sena Madureira (134), Rio Branco (129), Tarauacá (125).
Fumaça
O Boletim dos Focos de Calor e Clima do Acre assinala que existe resolução do Conama que define o padrão primário de qualidade do ar como as concentrações de poluentes que ultrapassadas poderão afetar a saúde da população.
A fumaça não deve ultrapassar a concentração média por dia (24hs) de 150 microgramas por metro cúbico de ar, que também não deve ser excedida mais de uma vez por ano.
Segundo o boletim, há um acúmulo de material particulado no oeste do Acre que varia entre 60 e 100 microgramas, na região do Jurua e Taraucá-Envira. Na região do Alto e Baixo Acre, varia entre 30 e 200 microgramas.
As informações são obtidas a partir do Sistema de Monitoramento de Focos de Calor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Ele detecta focos de calor que tenham pelo menos 30 metros de lado, o que impossibilita a detecção de pontos de queimadas urbanas.
Recomendando pela Comissão de Gestão de Riscos Ambientais, na semana passada o governador Binho Marques (PT) decretou estado de alerta ambiental no Acre diante da possibilidade de desastre decorrente de incêndios em coberturas florestais e queimadas descontroladas.
