Mand�bula

Fóssil estava esquecido em caixa no Laboratório de Pesquisas Paleontológicas

Pesquisadores da Universidade Federal do Acre (UFAC) localizaram uma mandíbula fragmentada de jacaré, aparentemente sem nenhuma importância científica, que se constitui em material inédito e deverá ser atribuída a um novo gênero e nova espécie para a ciência.

A sínfise mandibular (ponto de ligação entre os dois ramos mandibulares, na linha média do crânio) se estendia posteriormente até a altura do sexto dente mandibular.

O comum nos Alligatoridae (família que reúne os jacarés, aligatores e caimans) é que o limite chegue até a altura do quarto dente, no máximo, o que é considerado um padrão quase de diagnóstico do grupo.

- Em Purussaurus, o nosso mais famoso jacaré, é assim. Batizamos a nova descoberta de Amazonsuchus hexaodontosinsizialis, que significa jacaré da Amazônia com seis seis dentes de sínfise – afirma Jonas Filho, do Laboratório de Pesquisas Paleontológicas da Universidade Federal do Acre.

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A condição de uma sínfise mandibular estendida até a altura do sexto dente, concluem os pesquisadores, é condição singular do novo material e que permitirá distingui-lo de qualquer outra espécie, fóssil ou atual, até então conhecida.

Segundo o paleontólogo Jonas Filho, o registro de um novo jacaré na Bacia do Acre reforça a discussão de que durante o período Mioceno (8 milhões de anos), em toda a região da Amazônia Ocidental predominava grandes e profundos lagos, abastecidos por um diversificado sistema de rios meandrantes e megaleques associados, originários dos Andes peruano.

A divulgação do novo gênero e espécie está em fase de conclusão para ser encaminhada para publicação em uma revista especializada.

A peça foi encontrada por Jonas Filho ao revisar materiais fósseis coletados em pesquisas realizadas no final da década de 1990, armazenados no Laboratório de Pesquisas Paleontológicas.

O material encontrava-se acondicionado em uma velha caixa de papelão, empoeirado pelo tempo, sem exame detalhado, misturado a outros que até então não ofereciam informações consideradas relevantes para os estudos paleontológicos.

A partir da observação do aparente pequeno detalhe, o peleontólogo Jonas Filho passou a dialogar com o seu colega da UFAC, Edson Guilherme, traçando algumas teses a propósito do “esquecido” material fóssil.

Posteriormente, Jonas Filho encaminhou uma mensagem de texto ao seu colaborador de pesquisas, Daniel Fostier, da Universidade Federal de Minas Gerais, contando da novidade e convidando-o para participar dos estudos conclusivos do novo material.

A partir de um minucioso estudo, os pesquisadores concluíram que a peça trata-se de material inédito e deverá ser atribuída a um novo gênero e nova espécie para a ciência.

Foto: Jonas Filho/Ufac