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Na pior seca dos últimos 40 anos, nível do Rio Acre baixa para 1,57m

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Bombeiro conserta motor de barco no meio do rio

Bombeiro conserta motor do barco no meio do rio

O Rio Acre, que enfrenta a pior seca dos últimos 40 anos, amanheceu nesta quarta-feira (31) com apenas 1,57m de profundidade. O menor volume de água registrado antes (1,64m) pela Defesa Civil do Acre foi em setembro de 2005, quando a estiagem amazônica na região leste do Estado resultou em mais de 200 mil hectares de florestas devastados por megaincêndio.

O nível do rio Acre, em abril, chegou a 15,89m. Bairros foram inundados e mais de 1,7 mil famílias ficaram desabrigadas. A Defesa Civil Estadual tem expectativa de que o nível do rio baixe até 1,48m, antes de começarem as chuvas do inverno amazônico, a partir de outubro.

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O Rio Acre banha os municípios de Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri, Porto Acre e Rio Branco, a capital. Ele é a principal fonte de abastecimento de água das cinco cidades, mas todas lançam seus esgotos no leito do rio.

O Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb) usa bombas flutuantes para garantir o abastecimento de água tratada. As bombas da estação de captação estão inativas porque não conseguem mais alcançar o nível da água.

As autoridades municipais pedem para que a população economize água, mas negam que haja risco de racionamento. Desde maio, o Saerb instalou uma segunda bomba flutuante para atender a capital e pretende instalar outra porque o nível do rio não estabilizou.

Esgoto do Parque da Maternidade, no centro de Rio Branco

No centro de Rio Branco, esgoto do Parque da Maternidade é lançado no rio Acre

A situação do rio se agrava a cada ano. Na Universidade Federal do Acre (Ufac), um grupo de pesquisadores se dedica a realizar estudos sobre a mata ciliar pela recuperação das características ambientais da Bacia Hidrográfica do Rio Acre.

Segundo os pesquisadores, na mata ciliar está a resposta para grande parte do comportamento dos rios. As informações científicas indicam que existe estreita relação entre o equilíbrio hidrológico dos rios, em especial na Amazônia, e as condições de degradação das suas respectivas matas ciliares.

O professor Ecio Rodrigues, especialista em manejo florestal e desenvolvimento sustentável, afirma que haverá maior tendência ao desequilíbrio, mediante ocorrência constante de enchentes e secas extremas, sempre que a mata ciliar for estreita demais ou se encontrar em estágio avançado de degradação.

- A cada hectare de mata ciliar que é desmatado para a criação de ½ boi, conforme a lamentável produtividade da pecuária na região, ampliam-se as chances de escassez de água para a população urbana abastecida pelo rio – avalia Rodrigues.

Assuero Veronez, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, contesta os argumentos de que a situação do Rio Acre esteja relacionada ao modelo de ocupação da região.

- Atravessar o Rio Acre a pé não é novidade. Durante a Revolução Acreana, quando o Acre foi tomado da Bolívia, os soldados liderados por Plácido de Castro fizeram isso, em 1902. Está relatado no livro de Genesco de Castro, irmão de Plácido – afirma Veronez.

Rio Acre, no centro de Rio Branco

Rio Acre, no centro de Rio Branco

Fotos: Altino Machado/Terra Magazine e Marcos Vicentti/Divulgação

Altino Machado Altino Machado

Altino Machado

Acreano, ex-repórter dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo




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