“Reimoso”, na crença popular, é alimento que “faz mal” a doentes ou a mulheres em resguardo. Comida “carregada”, que inflama a pele, intoxica, atrapalha a cicatrização, e, como se não fosse pouco, provoca coceira e até diarréia. Cada lugar tem sua própria lista; mas em quase todas estão carneiro, crustáceos, pato, peru, porco, chocolate e ovo. Além de frutas como a melancia – “Nenhuma planta que enrame pode ser comida por quem padeça de moléstia de pele porque a enfermidade se alastra, como a planta se multiplica pelas ramas”; ou abacaxi “O enfermo de feridas que saboreia o abacaxi, tê-las-á salientes, formando bicos como a fruta servida”, tudo segundo Câmara Cascudo (em História da Alimentação no Brasil).

Os primeiros registros de restrições alimentares estão na Bíblia. Com o Senhor ensinando, aos filhos de Israel, quais as carnes que poderiam comer: “Entre todos os animais da terra, eis o que podereis comer: podereis comer todo animal que tem a unha fendida e o casco dividido, e que rumina. Mas não comereis aqueles que só ruminam ou só têm a unha fendida. A estes, tê-los-eis por impuros: tal como o camelo, que rumina mas não tem o casco fendido. E como o coelho igualmente, que rumina mas não tem a unha fendida; tê-lo-ei por impuros. E como a lebre também, que rumina, mas não tem a unha fendida; tê-la-ei por impura. E enfim, como o porco, que tem a unha fendida e o pé dividido, mas não rumina; tê-lo-ei por impuro. Não comereis da sua carne e não tocareis nos seus cadáveres” (Levítico 11, 2-8) .

A crendice chegou ao Brasil com os primeiros colonizadores. “As nossas superstições em matéria alimentar vieram de Portugal e são todas maiores de seis séculos”, continua mestre Cascudo. Que nossos índios, em suas mesas, apenas evitavam comer os “animais totens” – aqueles que lhes protegiam. E escravos africanos nunca deixavam restos de comida no prato, para que não fossem aproveitadas por espíritos atormentados. Superstição vem do latim “superstitio”, que significa “excessivo receio dos deuses”. Ou “crença sem lógica”. E assim se dá, neste caso, em que não existe um único estudo científico que comprove algum malefício causado por esses alimentos reimosos. Apesar disso, no mundo real, ninguém se arrisca a desobedecer. Nem mesmo os médicos. A nutricionista Maria Lucia Barreto de Sá, da Universidade Estadual do Ceará, aproveita e comprova que “quase todos têm em comum a alta concentração de proteína e gordura animal”, capazes de provocar reações apenas em quem já é alérgico.

Reimoso, só para lembrar, vem do grego “rhêuma”, significando fluxo, escoamento (referência aos líquidos que saem do corpo). E também carne mole ou músculo dolorido, daí vindo “reumatismo”. Talvez por isso no Nordeste também assim se diz de quem é trombudo, mau humorado, medroso ou covarde. Para acabar de completar, vale a pena referir o grande Zé Dantas, no seu “Forró em Caruaru”, que diz assim:

“Ao doutor delegado, que é velho e trombudo,eu disse que naquela grande confusão houve apenas uns arranhão mas o cara morredor nesses tempos de calor tem a carne reimosa, o velho zombou da prosa e fugi para Caruaru: matemos dois soldado, quatro cabo e um sargento! Cumpade Mané Bento, só faltava tu”

RECEITA: CAMARÃO COM MAÇÃ
INGREDIENTES:
1 kg de camarão
Alho, cebola, tomate, pimentão vermelho
1 xícara de vinho branco
1 caixa de creme de leite
8 maçãs
PREPARO:
- Faça um refogado com azeite, alho, cebola, tomate, pimentão vermelho. Junte o camarão. Refogue. Acrescente o vinho.
- Retire do fogo e junte o creme de leite, misture e reserve.
- Descasque as maçãs, parta ao meio, retire os miolos e depois arrume-as em um pirex grande.
- Despeje os camarões por cima.
- Uma hora antes de servir leve ao forno para cozinhar as maçãs.
- Sirva quente.