Na culinária, alguns ingredientes lembram sempre outros. Andam juntos, para o bem e para o mal. Como irmãos siameses. Cosme e Damião. Romeu e Julieta. Arroz e feijão, pão e manteiga, pêra e maçã, ketchup e mostarda, sal e pimenta, goiabada e queijo. Entre eles, com destaque, pizza e orégano. Não existe pizza sem orégano. Só que essa erva, em seu estado natural, é bem pouco conhecida. Suas folhas bem miudinhas e verdes, enramam pelo chão. Seu cheiro adocicado, e ao mesmo tempo condimentado, incensa tudo. O cultivo é bem simples, não requer maiores cuidados. Se quiser tentar, plante em lugar ensolarado com solo bem drenado e alcalino (se for ácido, corrija com cal). Depois de colhidas, conservam-se por muito tempo na geladeira. E ficam ótimas quando misturadas com ricota, mascarpone ou queijo fresco de cabra. Mais fácil de encontrar são as folhas desidratadas, vendidas em saquinhos. Essas devem ser usadas em menor quantidade, por ter aroma e sabor mais fortes. Temperam azeite, vinagre, ave, carneiro, peixe, porco, ensopados, sopas, molhos (de tomate, de carne), massas e, claro, pizzas. Em Portugal é tempero indispensável de escargots e caldeiradas. Mais recentemente descobriu-se que orégano é também remédio. No último congresso de Biologia Experimental, em São Diego (Califórnia), foi apresentado estudo da Universidade de Long Island indicando que uma substancia chamada carvacrol, presente na erva, induz células cancerígenas a se autodestruírem (apoptose).
Só para lembrar o orégano, originário da região do Mediterrâneo, é reverenciado desde a mais remota antiguidade. Está inclusive presente no Código de Manu (1000 a.C.), mais antiga legislação da Índia. Para aquela gente, o castigo seria essencial para produzir uma sociedade com ordem. E tão importante era esse orégano que, a pena para quem o roubasse, era severa – “quem nessa vida rouba orégano, reencarna como pavão”. Naqueles primeiros tempos, era utilizado apenas como perfume. Só aos poucos passou a ser utilizado, também, na preparação de pratos. Faltando só dizer que devemos seu nome aos gregos, que a consideravam símbolo de alegria e de felicidade. Para eles era oros ganos (alegria da montanha). Daí veio origanum, em latim. Donde oregano, em espanhol; origan, em francês e em inglês; origano, em italiano. Prova de que aqueles gregos eram mesmo sábios. Que esse orégano traz mesmo alegria e felicidade. Até, e sobretudo, na culinária.
RECEITA: PÃO DE ORÉGANO
INGREDIENTES:
4 ovos
90 g de manteiga (ou margarina cremosa)
360 g de farinha de trigo
200 ml de leite
1 ½ colher de chá de sal
150 g de queijo parmesão ralado
1 ½ colher de sopa de orégano
1 colher de sopa (bem cheia) de fermento de padaria dissolvido em 100 ml de leite morno

PREPARO:
• Bata, na batedeira, ovos e manteiga (ou margarina) até formar um creme.
• Junte farinha e leite.
• Desligue a batedeira e coloque sal, parmesão e orégano. Por fim o fermento. Misture bem.
• Divida a massa em duas partes iguais. Coloque em duas formas de bolo inglês (9 cm X 20 cm), untadas e polvilhada com farinha. Deixe descansar até que cresça. Polvilhe queijo parmesão ralado e asse em forno preaquecido (180º), por aproximadamente 30 minutos.