O Panorama do Cinema Baiano é uma modesta panorâmica histórica da cinematografia soteropolitana desde os seus primórdios até os dias atuais. De minha autoria, o livro foi lançado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia e pode ser adquirido, em arquivo PDF, no link indicado abaixo. Transcrevo aqui o release distribuído que o anuncia.

“A Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), através de sua Diretoria de Audiovisual (DIMAS), faz o lançamento virtual da segunda edição do Panorama do Cinema Baiano, de André Setaro. Originalmente publicado pela FUNCEB em 1976, o livro é reeditado em versão revista e ampliada, e pode ser acessado gratuitamente. A obra será posteriormente também publicada em versão impressa dentro da Série Crítica das Artes, coleção que integra o Programa de Incentivo à Crítica de Artes e que objetiva promover a difusão de conteúdo sobre o tema, inclusive no resgate de produções de profissionais notórios no campo.

Contribuindo para a preservação da memória cinematográfica e audiovisual do estado, o Panorama do Cinema Baiano demonstra-se útil à demanda de estudantes, pesquisadores, historiadores, cineclubistas e outros públicos interessados em conhecer mais a respeito da história do cinema feito na Bahia. O livro traça uma linha histórica sobre o desenvolvimento deste setor, enfocando aspectos ligados à produção, exibição e crítica. Professor, crítico de cinema e pesquisador de notória especialização na área do audiovisual, André Setaro fez uma revisão das informações referentes ao período 1910-1976, e inseriu novos textos, sobretudo críticas de cinema, que relatam a produção audiovisual da Bahia no período que vai de 1976 aos tempos atuais.

 

Sobre o Programa de Incentivo à Crítica de Artes – Lançado pelaFUNCEB/SecultBA em 2011, o Programa de Incentivo à Crítica de Artes se volta a esta produção artístico-intelectual, cuja tradição, atividade, empregabilidade e reconhecimento são ainda insuficientemente representativos na Bahia. Inserida na política de democratização do acesso à cultura e estímulo à formação artística dos criadores, técnicos, produtores e pesquisadores da área, a iniciativa objetiva promover a qualificação da crítica baiana e, com isso, contribuir para o desenvolvimento das artes produzidas no estado. Para tanto, foca na consolidação de um ambiente social propício ao acolhimento devido do setor cultural, investindo em ações estruturantes que envolvem formação, produção, criação e difusão do exercício da análise crítica nas áreas de Artes Visuais, Audiovisual, Circo, Dança, Literatura, Música e Teatro.

Neste ano, o Programa de Incentivo à Crítica de Artes já promoveu o II Seminário Baiano de Crítica de Artes, que reuniu profissionais brasileiros reconhecidos neste campo: Helena Katz, Ivana Bentes, Carlos Calado e Wagner Schwartz, sob mediação de Marcelo Rezende. Está também iniciando a Oficina de Qualificação em Crítica, um processo formativo semipresencial com coordenação pedagógica de Luiz Cláudio Cajaíba, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que se une como ministrante aos professores Cyntia Nogueira, da Universidade Federal do Recôncavo (UFRB), e Luiz Fernando Ramos, da Universidade de São Paulo (USP), e também o jornalista e crítico Marcelo Rezende. Por fim, ainda em 2012, o Programa de Incentivo à Crítica de Artes apresenta a Série Crítica das Artes, coleção de publicações com temáticas diversas dentro do universo da crítica de artes.”

Lançamento virtual de Panorama do Cinema Baiano, de André Setaro
Clique aqui para acessar:

http://www.dimas.ba.gov.br/novosite/Panorama_do_Cinema_Baiano.pdf

Abaixo, algumas palavras, minhas, sobre o Panorama do Cinema Baiano:

Em maio de 1976 (lá se vão 36 anos!), quando de uma mostra do cinema baiano no auditório da Biblioteca Central (que ainda não se chamava Sala Walter da Silveira), a pedido de José Umberto Dias, então coordenador (como se dizia) da Imagem e Som, escrevi um tímido Panorama do Cinema Baiano, que obteve razoável repercussão.

Mas o tempo passa e muita água já rolou no rio das três últimas décadas. O panorama que escrevi terminava no Ciclo Baiano de Cinema, embora já existissem os chamados filmes undergrounds de André Luiz Oliveira, Álvaro Guimarães, entre outros. A publicação se deu quando explodia nas jornadas baianas o surto superoitista, que, se a princípio não se dimensionou sua importância, com o passar dos anos, no entanto, veio-se a constatar que o surto reunia uma nova geração de cineastas que viria dar continuidade e ânimo ao então enfraquecido cinema baiano, a exemplo dos pequenos (e grandes!) filmes na bitola de Super 8 realizados por Edgard Navarro, José Araripe, Marcos Sergipe, Pola Ribeiro, Cícero Bathomarco, entre muitos outros, e, até mesmo, profissionais de outras bitolas, como José Umberto e Vito Diniz que quiseram se fazer valer como artistas na expressão superoitista.

O Panorama do Cinema Baiano, que está revisto e ampliado, vem a refletir a mudança dos tempos e a necessidade de se acrescentar o que aconteceu depois de maio de 1976 já que, tempo passado, a perspectiva histórica tende a ficar mais nítida, mais bem focada. Assim, nesta nova edição, a inclusão do boom superoitista, da longeva Jornada baiana, dos novos talentos que vieram a surgir, principalmente a partir deste milênio com os editais governamentais, que propiciaram a feitura de mais de uma dezena de longas metragens, um fato extraordinário para o cinema baiano, que amargou quase vinte anos sem a confecção sequer de um longa. Mas também houve, nestes anos 2000, uma profusão de curtas, muitos deles premiados em festivais nacionais.

A memória cinematográfica, se não fosse a paciência de uns poucos, estaria desaparecida.  Neste particular, não se pode esquecer o trabalho de José Umberto Dias, que há décadas vem procurando preservá-la em seu trabalho no DIMAS, além de ter organizado dois livros fundamentais: o pensamento cinematográfico do ensaísta Walter da Silveira (o único digno desse nome na Bahia, estilista admirável e ensaísta brilhante de cultura vastíssima), editado pelo governo do estado no apagar das luzes do último quatriênio em 2006, e, mais longe, em 1979, a organização de A História do Cinema vista da província, obra póstuma de Walter da Silveira, mas com um complemento ensaístico importante escrito por ele. Não se pode omitir, em se falando de memória, as pesquisas exaustivas de Geraldo Leal, que publicou (em parceria com Luis Leal Filho), com dinheiro de suas economias, do próprio bolso, portanto, o valioso Um cinema chamado saudade (1997), uma relação completa das salas exibidoras que se instalaram na cidade desde o início do século, e com ditos, diga-se de passagem, como era de seu feitio e de seu estilo, pitorescos. Também os esforços de Petrus Pires, filho do grande Roberto, que tomou a si a tarefa de preservar a memória de seu pai e, como resultado de sua tenacidade, estão restauradas as cópias de Redenção, primeiro longa baiano, Tocaia no asfalto, e recursos já foram conseguidos para a restauração de A grande feira.

O advento do digital provocou uma revolução no audiovisual. A expressão pelas imagens em movimento, democratizada, virou uma realidade para qualquer pessoa. Centenas de filmes estão sendo realizados na Bahia através de películas e, principalmente, de filmes digitais. A quantidade de curtas é imensa. Para se ter uma idéia, basta verificar o número de inscritos baianos no Festival de 5 minutos que é realizado todos os anos. Impossível, portanto, dar conta de tudo que é feito, salvo sob severa e extenuante pesquisa. Assim, deu-se preferência, aqui, neste Panorama do Cinema Baiano, aos filmes de longa metragem, com citações passageiras de alguns curtas representativos. O objetivo é do registro, de deixar impressas não somente o itinerário histórico, mas, também, impressões pessoais. Há, portanto, nos últimos capítulos deste panorama críticas de alguns filmes baianos que foram realizados depois do ano 2000, a começar pelo elemento deflagrador que foi Três Histórias da Bahia.