Por Luciano Borges
Uma das recomendações que o novo técnico do São Paulo, Ricardo Gomes, ouviu do presidente Juvenal Juvêncio foi a de dar espaço para os jogadores que vieram da base e estão treinando no time de cima. Nesta domingo, na derrota para o Corinthians por 3 a 1, o auxiliar técnico Milton Cruz colocou o meia Oscar em campo.
Aos 17 anos (ele faz aniversário em setembro), o garoto substituiu Hugo aos 25 minutos do segundo tempo. O São Paulo já perdia por 2 a 0 e, logo em seguida, sofreu o terceiro gol. Oscar buscou o jogo. Em jogada individual, ele levou a bola para dentro da área corintiana e, com um toque de calcanhar, serviu para Richarlyson fazer o gol de honra.
Depois da partida, Oscar foi elogiado pelo vice de futebol Carlos Augusto de Barros e Silva, um dos defensores de sua escalação. A última vez em que ele tinha sido escalado pelo treinador Muricy Ramalho – demitido na sexta-feira – foi contra o Independiente de Medelín, pela Libertadores da América.
Oscar terminou o clássico e foi para o Centro de Treinamento, onde sua mãe o esperava para levá-lo até Americana, no interior de São Paulo. Ele passou a segunda-feira com a família. Reviu o lance do gol são-paulino, ganhou elogios de primos e tios.
Em conversa com o Blog do Boleiro, a promessa tricolor pediu uma sequência de jogos para mostrar se vale a pena apostar no seu futebol. Confiante, disse: “Pode confiar em mim. Vou corresponder”.
Blog do Boleiro – Como você avalia sua participação no clássico?
Oscar – Foi legal e não foi legal. Quer dizer, foi chato a gente ter perdido. Mas Eu fiquei feliz por ter fiz o que tinha em mente.
E o que você tinha em mente?
Quando eu entrei estava 2 a 0 para o Corinthians. Aí eu pensei: “Vou ajudar a tentar a fazer um gol, colocar fogo na partida”. Eu entrei bem na hora do escanteio do gol do Jucilei. Eu mantive o mesmo pensamento. Deu para participar do lance do gol do Richarlyson.
Depois do jogo, você foi elogiado pelos dirigentes do São Paulo e eles queriam que Muricy Ramalho aproveitasse mais os meninos da base. Você está pronto para jogar mais?
É difícil falar se estou pronto ou não. A gente só vai saber se tiver uma continuidade de três, quatro jogos. Fazia tempo que eu queria jogar. O novo técnico pode confiar em mim. Eu entrei e dei o meu máximo.
Ricardo Gomes já ouviu do presidente Juvenal Juvêncio que é interessante investir no meninos. É um bom momento para isso?
Momento bom, não é. O time está meio que em crise, a gente acabou de sair da Libertadores. Você perde um pouco o chão. Não está legal como antes, mas a gente vai voltar ao normal. Se este é momento de colocar os atletas vindo da base? O Ricardo pode escalar que caras como o Wellington, Sérgio Mota, Aislan e eu estamos com muita vontade. A gente vai corresponder.
Uma das críticas da diretoria a Muricy Ramalho era que ele aproveitou pouco vocês.
Olha, foi o Muricy que me subiu para o profissional. Ele gostava de mim e falava sempre nos treinos que eu era diferenciado, mas me achava meio novo ainda. Sou grato a ele. A jogada do gol do Richarlyson nasceu de uma coisa que o Muricy sempre pedia.
Qual?
Ele sempre dizia para eu chegar na área. Queria que eu partisse para dentro toda a vez que tivesse a posse da bola e houvesse espaço. São conselhos dele.
