Por Luciano Borges

Se pudesse escolher,  Daniel Carvalho pediria ao técnico Luiz Felipe Scolari para começar jogando. O meia gaúcho descobriu, na prática, que ficar na reserva e ser acionado com a bola rolando é mais difícil. “Me senti melhor contra a Catanduvense do que contra o Mogi Mirim”, disse ao Blog do Boleiro.

Diante da Catanduvense, Daniel começou como titular. Ficou em campo 70 minutos. “Cansei, mas senti mais a falta de ritmo de jogo do que cansaço físico”, afirmou. Já na estreia contra a Portuguesa (1 a 1) e também na vitória sobre o Mogi Mirim (2 a 0) ele saiu do banco de reservas para jogar no segundo tempo. “Foi pior. O jogo já está corrido e você tem que entrar neste ritmo”, falou.

Até a quarta rodada do Campeonato Paulista, Scolari tem colocado Daniel em momentos em que Valdívia está em campo. Os dois armadores juntos são um luxo que o treinador ainda não está decidido a usar desde o começo dos jogos.

Daniel até gostaria de formar dupla de armação com o chileno, mas vê um problema: a marcação. “A gente pode jogar juntos, mas vamos precisar ajudar na marcação. Não podemos sobrecarregar o time”, afirmou.

Ele sabe que o esquema tático do Palmeiras é baseado na busca intensa da bola. “O Felipe gosta deste tipo de jogo”, ressaltou o jogador que anda em fase de falar o mínimo possível porque sentiu como pode virar notícia mundial em alguns instantes.

Na última segunda-feira, ele deu uma entrevista à Rádio Estadão/Espn e disse que tinha utilizado esteróides anabolizantes quando começou a jogar no CSKA da Rússia. As declarações correram o mundo rapidamente.

Na conta de Daniel, bastaram dez minutos para que o telefone celular acusasse a primeira chamada da Rússia. “Eu vi o número e não me toquei de cara. Eu falei aquilo e não percebi que poderia ser editado. A parte em que falei que não era médico, não estudei e poderia estar equivocado não foi ao ar”, disse.

Em meia hora, Daniel Carvalho percebeu que poderia ter despertado a ira dos dirigentes russos. O pai de Daniel foi procurado pelos dirigentes do CSKA. “Fiquei preocupado em não causar nada ao CSKA. Fiquei lá seis anos, ganhei muita coisa, fiz minha vida lá. Seria injusto arrumar problemas”, disse.

Por isso, ele teve a ideia de publicar um pedido de desculpas formal ao CSKA. Na última segunda-feira, horas depois da entrevista, o jogador procurou a assessoria de imprensa do Palmeiras e pediu ajuda para elaborar o documento que foi afixado na Academia de Futebol. “Queria pedir desculpas aos russos”, justificou.

Quase uma semana depois da polêmica, Daniel Carvalho se mostra prudente quando trata o assunto. “Nunca fui jogador de me meter em polêmica. Sempre achei que jogador tem que aparecer dentro de campo. Estou aqui há pouco tempo e já deu este barulho todo”, falou.