Por Luciano Borges

Uma recomendação para que Andres Sanchez, diretor de seleções, e Rodrigo Paiva, assessor de imprensa, viabilizem os pedidos da Rede Record e da Sportv que querem mostrar onde a seleção brasileira vai treinar e se hospedar antes e durante os Jogos Olímpicos de Londres. Esta foi uma das ordens recentes de Ricardo Teixeira, presidente da CBF que ainda não renunciou ou pediu licença do cargo.   

No dia 29 de fevereiro, Teixeira vai presidir um Assembleia da CBF convocada por ele na semana passada. “As Federações estavam querendo esta reunião talvez imaginando que ele estaria fora. O Ricardo decidiu convocar o encontro  para ver o que elas queriam falar”, disse Rodrigo Paiva.

Presidente da entidade desde janeiro de 1989, com mandato até 2015, Teixeira vem frustrando as previsões de que largaria o cargo antes do Carnaval. Próxima data: o final deste mês, diante dos presidentes das federações estaduais que andam se organizando em blocos antagônicos para fazer um sucessor?

Segundo o que Andrés Sanchez disse a amigos durante o Carnaval, Teixeira não fala do assunto. “Será uma pena se ele sair”, disse num camarote no sambódromo do Rio. O ex-presidente corintiano faz coro a Rodrigo Paiva que garante: “Não falamos deste assunto. Se ele quer sair, não manifestou nada concreto”, afirmou ao Blog do Boleiro.

Mas o assessor, homem forte do setor de comunicação do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, confirmou: “Ele cansou. Não está querendo mais. Mas se isto é para daqui a pouco ou daqui dois anos, ninguém sabe dizer”.

Cansou de quê?

“Ele está de saco cheio das críticas. Ele pode ter conquistado duas Copas do Mundo, onze torneios internacionais, pode ter resolvido as finanças da CBF, não importa, ele sempre vai ser o vilão”, raciocina Rodrigo, um assessor que tem proximidade com Teixeira desde que entrou para a CBF em 2002.

Há anos, Ricardo Teixeira se vê envolvido em denúncias que vão desde importação irregular de equipamentos para um choperia de sua propriedade, até contratos lesivos à entidade com os patrocinadores e fornecedores de material da seleção. O dirigente já foi o pivô de duas comissões parlamentares de inquérito e diz sempre que nada foi provado contra ele.

Ricardo Texeira, que tem casa também em Miami (EUA), pretendia deixar o cargo somente em 2015. Depois da Copa do Mundo, um ano antes, pode ser o período mais provável, com cara de fim de ciclo.

Recentemente, Teixeira tem sido alvo de investigações para apurar se houve ou não superfaturamento na organização de um amistoso entre Brasil e Portugal, disputado em Brasília, e bancado pelo governo do Distrito Federal. A empresa contratada para organizar o evento é parceira de uma instituição cujo endereço está indicado como sendo onde fica a fazenda do dirigente no Rio de Janeiro.

Enquanto diz a amigos que cansou, o presidente da CBF não tomou ainda a decisão de ir embora. A nova aposta passou a ser esta Assembleia no 29 de fevereiro, data que só aparece em ano bissexto.