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Para voltar à seleção, Kaká buscou ajuda de brasileiros e até montou sala de fisioterapia em casa | Blog do Boleiro
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Para voltar à seleção, Kaká buscou ajuda de brasileiros e até montou sala de fisioterapia em casa

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 Reserva no Real Madrid, Kaká ganha uma chance de começar jogando uma partida pela seleção brasileira. Ao enfrentar o Iraque, nesta quinta-feira na Suécia, o meia brasileiro começa a parte mais importante de seu projeto que começou na derrota por 2 a 1 para a Holanda, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2010: ser titular do Brasil em 2014.

Kaká decidiu que iria recuperar sua melhor condição física e voltar para o selecionado brasileiro. Em Malmoe, ele pode mostrar ao técnico Mano Menezes que ele acertou em chamá-lo e apostar em seu talento e experiência.

Kaká lutou para voltar à seleção.

Foi dele a ideia de, logo depois da Mundial na África do Sul, vir ao Brasil e ser submetido a uma bateria de exames e testes para saber exatamente o que estava provocando dores e limitando suas atuações em campo. Kaká sentia desde dores na planta do pé, na região pubiana, no joelho esquerdo e, em alguns momentos, nos adutores das coxas.

Ele foi examinado por um grupo de profissionais arregimentados pelo fisiologista Turíbio Leite de Barros Neto. A conclusão foi de que o ponto a ser atacado era operar o joelho do meia. Seria uma cirurgia com recuperação demorada porque iria mexer e retirar meniscos e cartilagens.

O jogador então marcou uma reunião no início de agosto entre o professor Turíbio, o técnico José Mourinho, o diretor esportivo do Real, Jorge Valdano, médicos e fisioterapeutas do clube espanhol. O encontro aconteceu em Los Angeles, onde o time merengue fazia a pré-temporada para 2010/2011.

A explicação durou meia hora. Ao final, Mourinho disse que, pela primeira vez, ouvia exatamente o que Kaká tinha. No dia seguinte, em outro encontro, o fisiologista que conhece Kaká desde a base do São Paulo, discutiu com os médicos do Real e os ajudou a decidir quais passos seriam dados: o atleta não passaria por cirurgia no púbis, como queriam os espanhóis, e operaria o joelho o mais rápido possível.

Menos de duas semanas depois, Kaká já estava iniciando a recuperação da artroscopia feita pelo médico Marc Martens, no hospital AZ Monica, em Amberes, na Bélgica. Começou então – em agosto de 2010 – um período de seis meses trabalhando em dois períodos para se recuperar.
Detalhe: Kaká chegou a montar uma sala de fisioterapia em sua casa em Madri, para que fizesse um tratamento intensivo. Nas manhãs, ele trabalhava com os fisioterapeutas do Real Madrid. O reforço foi feito com orientação de um profissional brasileiro.

Demorou, mas Kaká já poderia ter jogado com frequência no início de 2012. Aí o problema passou a ser o técnico José Mourinho, que não acha o jogador mais necessário no meio de campo merengue. Com isso, Kaká entrou pouco em campo e não ganhou ritmo de jogo.

Por precaução, na metade desta temporada, durante as férias, Kaká voltou ao Brasil e passou por outra avaliação do grupo comandado por Turíbio de Barros. O quadro constatado é muito melhor. “Ele está com bom equilíbrio muscular nas duas pernas. Ele não tem mais nenhum problema decorrente da situação de 2010”, disse Turíbio ao Blog do Boleiro.

Neste ano, Kaká sofreu apenas uma lesão na panturrilha, prontamente tratada. Está no peso ideal. Corre equilibrado. O joelho anda perfeito. E o púbis deixou de incomodar o meia.

Para os padrões do futebol brasileiro, sua recuperação foi lenta. Os fisioterapeutas do Real ainda utilizam métodos tradicionais, com muita massagem e intervenção de mãos humanas, que requerem mais tempo do que os procedimentos de brasileiros e suas maquininhas maravilhosas fazem.

Esta diferença de tratamento virou história entre os jogadores brasileiros que atuam na Europa. É só acompanhar a pressa como Ricardo Oliveira, Cicinho, Luis Fabiano, Zé Roberto e outros nomes famosos recorrem ao Reffis do São Paulo para apressar o retorno aos campos. A fama já trouxe atletas portugueses e de outros países.

Recentemente, o atacante Alexandre Pato também procurou o grupo de Turíbio que, a exemplo do que fez com Kaká, submeteu o garoto a uma série de testes realizado no departamento de fisioterapia do Barueri e em instalações da Universidade de São Paulo.

Depois de 12 lesões em 22 meses, Pato finalmente pôs a mão em um relatório que afirma: ele tem um desequilíbrio muscular nas duas pernas. Ele foi causado pelas lesões que, depois de cicatrizadas, formaram fibroses e os médicos do Milan não souberam recuperar a musculatura do jogador para evitar a repetição do problema.

O relatório final foi entregue a Pato que, pelo jeito, não foi atendido pela comissão técnica milanista.

Kaká insistiu na sua recuperação. Foi buscar ajuda, atraiu colaboradores, mapeou seu corpo e até comprou equipamentos que o ajudaram na recuperação. Mais recentemente, trava um jogo fora de campo contra o treinador José Mourinho. O português queria a saída do brasileiro, mas vem se curvando à evidência de que Kaká está em forma, com fome de bola.

Mourinho escalou Kaká como titular do Real Madrid num amistoso contra o Milionários da Colômbia. O brasileiro marcou três gols na goleada por 8 a zero que rendeu o troféu Santiago Bernabeu ao time espanhol. O treinador colocou o meia na vitória diante do Ajax, pela Liga dos Campeões. Kaká  entrou também contra o Barcelona, mas no  final da partida e com função mais defensiva.

Contra o Iraque, ele entra em campo para mostrar ao mundo que está bem e pode ser o líder do Brasil na Copa do Mundo de 2014.

Depois de mais de dois anos, ele ganha a oportunidade que queria e lutou para ter.
 

Luciano Borges Luciano Borges

Luciano Borges

Luciano Borges, 55 anos, é jornalista desde 1978. É correspondente-sênior da SBS Radio (Austrália).



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