A Federação de Residentes Bolivianos em São Paulo, que representa cerca de 300 mil imigrantes, prometeu enviar nesta sexta-feira um documento pedindo a libertação dos 12 de Oruro, torcedores corintianos que cumprem prisão preventiva desde a partida entre Corinthians e San José, quando um foguete sinalizador foi disparado do meio da Gaviões da Fiel e atingiu o jovem Kevin Espada, matando o torcedor da equipe de Oruro.

“O presidente da Associação (o médico Freddy Vargas) entrou em contato com a gente e nos comunicou do apoio aos torcedores presos. A ADRB é reconhecida pelo governo da Bolívia e tem representatividade”, disse Ricardo Cabral, advogado da torcida uniformizada do Corinthians.

Além disso, a Associação sente que a manutenção dos 12 de Oruro no presídio da cidade já causa mal estar para os bolivianos em São Paulo. “Ele sentem que já há uma certa discriminação velada por causa do que está acontecendo com os presos lá na Bolívia”, disse Cabral ao Blog do Boleiro.

O advogado da Gaviões acha que este é o momento mais apropriado para agilizar o processo com as autoridades bolivianas. “Teremos este jogo do Brasil contra a Bolívia no sábado e, na próxima quarta-feira, Corinthians e San José vão jogar no Pacaembu. Seria bom este momento para que soltassem os rapazes”, afirmou Cabral.

Cabral revelou também que, em conversa com um diplomata do Brasil na Bolívia, a prisão dos 12 de Oruro – na maioria, integrantes da Gaviões da Fiel – tem “conotação política”. “Há uma má vontade do governo boliviano por causa do senador da Bolívia (Pinto Molina) que está vivendo na embaixada do Brasil há 11 meses”, disse o advogado.

Nesta quinta-feira, o ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores, revelou que os dois governos estão conversando sobre a situação de Molina. O senador alega sofrer perseguição política e o governo de Evo Morales diz que o político é réu em várias ações ilegais e, por este motivo, não concede salvo conduto para que Molina deixe o país.

Um grupo de parlamentares está no Bolívia e já pediu a libertação dos 12 de Oruro. Dez deles são acusados de cumplicidade e dois respondem pela morte do torcedor. Desde ontem, a advogada Maristela Basso, especialista em direito internacional, está na Bolívia para tratar da causa dos 12 de Oruro.  Ela deve recorrer à Corte Interamericana de Justiça, na Costa Rica, assim que analisar todo o processo movido pela Justiça e pela polícia boliviana.