A nova onda de violência urbana pública exige reflexões. Já disse o filosofo: a história, a primeira vez, é heróica, a segunda é farsa. Alguns estão repetindo exatamente os acontecimentos de 2006.

Agora com uma indigência de idéias de fazer pena. Naquela ocasião entidades respeitáveis da sociedade civil se movimentaram. Ofereceram sugestões para minimizar as graves ocorrências de então.
 
Estudaram as causas e as conseqüências da violência urbana. A realidade dos presídios. A situação subumana presente. Juristas formularam anteprojetos de reforma da lei penal e processual penal.
 
A sociedade movimentou-se porque foi solicitada a agir. Os representantes de São Paulo na Câmara Federal – de todos os partidos – compareceram em audiências e deram sugestões.
 
Não foram meras promessas. Apontou-se com clareza a amarga realidade existente em comunidades carentes. Pensou-se em novas formas de tributação para melhoria do sistema prisional.
 
As Forças Armadas ofereceram todo o apoio necessário para agir contra a criminalidade, sem que houvesse exposições desnecessárias. A Polícia Federal mostrou-se exemplar. 
 
As polícias paulistas – Civil e Militar – não titubearam em nenhum momento em sua ação em defesa do Estado Democrático de Direito e da preservação da integridade física da cidadania.
 
O Ministério Público e o Poder Judiciário, naquela oportunidade – 2006 – mostraram-se presentes e recolheram elementos de estudo e análise. Deram contribuição intelectual relevante.
 
Autoridades civis federais – Fazenda e Coaf – agiram com prontidão e confiabilidade. Reuniões importantes concretizaram-se na Sala de Situação do Comando do Sudeste.
 
Este enorme conjunto de experiências e contribuições necessita ser reavivado no momento que vive São Paulo. Não pode, em matéria tão sensível, como a segurança pública, haver desperdícios.
 
Seria oportuno que as autoridades voltassem a solicitar da cidadania colaboração neste espaço tão complexo, onde se agitam a má-vida e, totalmente desprotegidas, as pessoas prestantes.
 
Um fórum permanente para exame das situações inerentes à segurança pública seria oportuno. Geraria uma onda de tranqüilidade, pois muitos pensamentos podem levar a conclusões qualificadas.
 
A sociedade sente temores, mas mostra-se apática. Não oferece contribuições, tal como acorreu em 2006. Quem sabe pelo desconforto de ver suas contribuições relegadas ao esquecimento.
 
É preciso recolher ensinamentos do passado. Estes, no caso, foram gratificantes. Pode-se concluir que, naquela oportunidade, a solidariedade social foi intensa e oportuna.
 
Todos os cidadãos de São Paulo – dedicados ao trabalho e à vida ética – encontram-se imbuídos de um sentimento de confiança em suas autoridades policiais.
 
É necessária uma movimentação para recolher contribuições. Existem, na sociedade, diversas organizações tradicionalmente dedicadas aos assuntos de segurança. Cabe ouvi-las.
 
O surto de violência não será permanente. Como todo surto é passageiro. Inexistem em São Paulo áreas inteiramente dominadas pelo crime, o que aumenta a possibilidade de pacificação.
 
Em todo o episódio presente, é significativo o silêncio da sociedade e de seus representantes – entidades ou personalidades. Parece existir um alto grau de passividade social. Este é grave.
 
Aqui a maior enfermidade. Uma sociedade, que não eleva sua voz em defesa de seus valores e de sua integridade física, é uma sociedade enferma.