Aproxima-se a data comemorativa da fundação do colégio de São Paulo. É a data oficial. Antes, porém, João Ramalho e seus filhos andavam por estas terras e delas eram titulares por direito de posse.

Vieram, porém, os padres jesuítas com a missão outorgada pelos reis de Portugal: colonizar as terras recém-descobertas. Estes, como fizeram por todo sul do continente, deviam implantar missões.
 
Como se constata das ruínas existentes na Argentina, Brasil e Paraguai, as misssões consistiam em campos de trabalho, onde se utilizava da mão-de-obra indígena.
 
O colégio de São Paulo, dentro desta doutrina de ocupação, integrava o conjunto de missões jesuíticas distribuídas em toda área meridional desta América. Escolheram, para início de suas obras, o dia da conversão de Paulo.
 
Paulo, apesar de não ter convivido com o Mestre, passou a ser chamado de apóstolo, pelo trabalho exercido na conversão dos gentios, isto é, os não judeus.
 
A figura de Paulo é de uma personalidade dinâmica e culta. Falava várias línguas. Estudara com importantes rabinos da sua época. Foi incansável, como demonstram suas viagens por terra e mar.
 
A sua escolha para patrono do colégio teve os efeitos desejados pelos fundadores. Os paulistas, habitantes futuros da região, sempre foram inquietos e nunca deixaram de buscar novas conquistas.
 
Foram estes paulistas dos primeiros tempos, que, na companhia dos índios, ainda porque eram mamelucos, estenderam os limites territoriais do Brasil.
 
Nunca se abateram. Tornaram-se, em determinados momentos, extremamente frágeis. A vila perdeu importância. Amesquinhou-se. Foi, no entanto, capaz de vencer todas as adversidades.
 
O destino parece ter marcado São Paulo. Quando se mostrava isolada, mas sempre audaciosa, um acontecimento histórico, em seu território, a torna símbolo da Independência.
 
Em seus contrafortes, o Príncipe Pedro liberta os brasileiros do jugo de Portugal. O espírito libertário dos paulistas influenciou o príncipe, particularmente pela figura do paulista José Bonifácio.
 
A independência, proclamada em São Paulo, teve suas consequências. O futuro imperador apaixona-se por uma paulista de Santos, Domitila, mais tarde Marquesa de Santos.
 
Esta mulher com seus dotes e artimanhas marcou os primeiros anos do Brasil independente. Certamente, sua influência, junto ao Imperador, levou à instalação da Faculdade de Direito no Largo de São Francisco.
 
São Paulo era provinciano em excesso para receber a primeira escola superior em suas terras. Havia cidades mais aptas a abrigar uma academia. Basta ler os Anais da Primeira Assembleia Constituinte.
 
Muitos outros episódios foram marcantes na trajetória dos paulistas. A chegada dos imigrantes europeus e, posteriormente, do Oriente Médio mudou sua fisionomia social.
 
Em momento mais próximo – após a construção da rodovia Rio-Bahia -, foram os nordestinos que aportaram e, por seu turno, também contribuíram para alterar os costumes e linguajares paulistas.
 
Hoje, brasileiros de todas as partes – junto com bolivianos, peruanos e outros contingentes latino-americanos – formam uma sociedade única. Sem preconceitos de qualquer espécie.
 
Em São Paulo, as ideias fluem e aqueles que têm espírito paulista avançam em todos os segmentos. Forjaram-se, em São Paulo, grandes figuras políticas. Notáveis cientistas. Personalidades marcantes.
 
Tudo isto pode levar a uma falsa euforia. O realismo paulista, no entanto, aponta para um momento de inação. São Paulo está exausto. Esgotou-se. Exige figurantes capazes de elevá-lo às alturas de seu passado. Hoje, São Paulo está fragilizado.