O mundo acadêmico está complicado. Ao menos na Europa. A excelência das universidades alemãs é conhecida. O rigor de seus professores e as idiossincrasias de seus estudantes.

Nada mais assustador que o início do ano letivo nas tradicionais escolas superiores germânicas. Os alunos voltam repletos de vigor. Explodem em grandes confraternizações.

Estas têm, como centro, a cerveja tomada em grandes quantidades. Depois de algumas horas, o pandemônio é generalizado. Infeliz do forasteiro que se encontre entre os circunstantes.

Além do temor, também conhece cenas a que está desacostumado. Uma juventude sadia em busca da fuga proporcionada pelo álcool. Além do mais, há a procura dos duelos.

Bons esgrimistas, o verdadeiro estudante alemão deve levar em seu rosto a marca do sabre. É inerente às sociedades secretas, existentes em todas as boas universidades alemãs, a participação em atividades extracurriculares.

Todo estudante, particularmente nas universidades tradicionais, considera-se um templário e está pronto a libertar as terras conquistas pelos infiéis.

São costumes seculares e que perdurarão enquanto houver academias em todo o território tedesco. As tradições preservadas é um traço fundamental do povo alemão.

Entre estas tradições, encontra-se o princípio da honestidade. A palavra de um estudante alemão é para ser respeitada. Vale de per si. Sempre foi assim.
Parece, no entanto, que as coisas vão mudando. Seria inimaginável registrar que uma dissertação ou uma tese acadêmica, na Alemanha, pudesse ser plagiada.
Os longos trabalhos científicos produzidos nas academias germânicas são referência para os outros povos. Um alemão – até há pouco – não plagiava. Concebia novas idéias.

Os anos passaram e os novos tempos dão razão aos velhos italianos que afirmavam que todo país é aldeia.

Ou seja, tudo é igual por todas as partes. Estas divagações surgem espontaneamente pela leitura dos jornais europeus. É desalentadora a onda de documentos científicos plagiados ultimamente na Alemanha.

Não são meros estudantes sem projeção. Ao contrário, trata-se de figuras da vida política, ocupando altos cargos, que, uma vez devassadas as respectivas vidas acadêmicas, surge o plágio por inteiro.

O ministro da Defesa foi afastado de seu cargo e se mudou para os Estados Unidos. Não bastasse. Veio mais um caso. Uma militante do Partido Liberal – FDP – também foi colhida com a boca na botija.
Não lutou por seu título. Demitiu-se de todos os cargos que ocupava. Parecia encerrado o ciclo. Ledo engano. Agora a figura mais próxima da Senhora Merkel também foi colhida na rede dos plagiários.

Annette Schavan, Ministra da Educação do governo alemão, renunciou. Seu título foi revogado pelos corpos acadêmicos da Universidade de Dusseldorf.
Parece impossível. Tudo isto, porém, vem ocorrendo na Alemanha. O computador levou a falsa aparência da veracidade. O copia e cola violou os mais sagrados valores das universidades.

O plágio – vergonha das vergonhas – tornou-se prática corriqueira em qualquer país. Até nos considerados mais qualificados. A exigência de trabalhos acadêmicos para enriquecer currículos tornou-se obsessão.

É mal que aflige todas as universidades e, certamente, dele não estão isentas as brasileiras. Aqui a indagação: estarão nossas acadêmicas caçando os plagiários?
Hoje existem programas próprios para estas caçadas à falsidade intelectual. Será que estão merecendo uso pelos nossos professores e academias?