Muitos pensam que na Bahia só tem axe music – santa…!!! São quase 60 anos de intensa atividade de criação musical desde que Koellreutter criou os Seminários de Música em 1954. Em 1963 Ernst Widmer começa a ensinar composição atraindo alunos como Tomzé (pois é), Lindembergue Cardoso, Fernando Cerqueira, Jamary Oliveira e parceiros como Walter Smetak e Milton Gomes.

Criaram o Grupo de Compositores da Bahia em 1966, e depois tudo isso migrou para a própria instituição onde se desdobrou em gerações e gerações de compositores. São mais de duas mil obras feitas nesse período. É um dos lugares de maior tradição de vanguarda no País!

Nesta semana os círculos da criação musical na Bahia estão efervescentes com mais um Seminário de Composição promovido pela OCA – Oficina de Composição Agora,

 

— confiram no Youtube os feitos da OCA: Alex Pochat, Guilherme Bertissolo, Túlio Augusto, Paulo Rios Filho e Alexandre Espinheira. ou em – www.ocaocaoca.com

 

…um grupo de compositores/agitadores culturais criado em 2005 que herda essa tradição, se empenha em criar novos desafios e traz uma série de personagens importantes para o diálogo ao vivo em Salvador.

Só neste ano: os renomados compositores João Pedro Oliveira (Portugal) e Sérgio Freire (ambos da UFMG), Roberto Victorio (UFMT), Luiz Castelões (UFJF) e Jaime Reis (Portugal), a conceituada pianista portuguesa Ana Telles, o grupo Percantos, o quarteto de clarinetas da UFBA, o GIMBA-UFBA, o Grupo de Percussão e o Camará (grupo dedicado aos novos repertórios). Sem falar na prata da casa, os compositores Wellington Gomes, Pedro Kroger e Marcos da Silva Sampaio.

Com o foco na produção de metade do século XX para cá, o Música de Agora na Bahia- MAB apresenta uma extensa programação, que envolve a realização de concertos, projeções sonoras de música eletroacústica, seminários de composição musical, intervenções urbano-sonoras, recitais relâmpago de música nova em escolas públicas e diversas outras atividades de formação. Detalhe: já é  resultado de uma política pública de cultura na Bahia através do Fundo de Cultura.

 

Agora estou numa conferência do seminário de criação musical. A presença do compositor Roberto Victorio é algo muito especial — ele pensa mais rápido do que a fala alcança e usa esse viés composicional (da fala) para marcar entusiasmo e autenticidade ao mesmo tempo.

Não acredita em compositor que escreve trancado em seu gabinete, é preciso ir à luta, acompanhar as execuções das obras, discutir com os intérpretes, especialmente os regentes que algumas vezes estão no mundo da lua, e mesmo reger se for necessário…

Roberto Victorio é carioca e atualmente toca uma carreira que se espalha em dezenas de festivais de música nova pelo mundo a fora. Lidera o movimento a partir da Universidade do Mato Grosso, realizando importantes bienais. Fez seu doutorado em musica entre os índios Bororo, dando continuidade a um interesse ancestral pela relação entre música e ritual.

 

Agora estamos ouvindo Tetraktis para violão solo, uma peça que nos mantém envoltos em suas sonoridades — uma das diversas obras que o compositor escolheu para levar a um mergulho em sua trajetória criativa. São peças de impacto, que se alinham ao discurso do compositor, são mais do que notas, vão nos levando para dentro da experiência música, e além de tudo, muito bem executadas. Logo em seguida ouvimos o Codex Troano escrita para o grupo de percussão da UNESP com John Boudler.

Ontem, no Conservatório Teodoro Salles, vibramos com o recital de piano de Ana Telles, uma intérprete que colocou no centro da sua carreira o diálogo com os criadores atuais, garantindo dessa forma, performances vibrantes e autênticas, tudo isso potencializado por uma técnica vigorosa.  O programa foi especialmente desenhado com obras de compositores portugueses (Jaime Reis, Pedro de Oliveira, João Madureira) e Rachmaninoff, levando a uma síntese deliciosa e inesperada.

Bem, preciso ir andando para pegar a conferência de Luiz Castelões, atualmente Coordenador do programa de pesquisa em Composição da Universidade de Juiz de Fora, com doutorado na Universidade de Boston e atuação marcante no campo da música eletrônica.

Até a próxima.