Cedinho ou tardão, quando acordam, vocês são daqueles que precisam urgente de uma xícara de café? Durante o dia, em escritórios, lojas, fábricas, ou na rua, não ficam sem uma parada para o cafezinho? Em restaurantes, na companhia de alguém, diante da fatal pergunta do garçom – café? – logo acenam o V da vitória com os dois dedinhos?

Penso que a maioria das pessoas adultas responderia sim a essas perguntas.

Continuando. Nessas ocasiões, passam pelas suas cabeças perguntas sobre a tendência da demanda mundial do café e de como está o Brasil, maior produtor e exportador, no comércio da bebida mais consumida no planeta?

Tenho certeza que não. No máximo, se em casa, discutiremos preços e qualidade dos diversos pós ou grãos e, em lugares públicos, o mistério que faz um dono de restaurante cobrar R$ 8,00 pelo cafezinho.

A não ser que você more em Guaxupé (MG) ou região, onde estive ontem.

O mesmo que acontece com a soja em Lucas do Rio Verde (MT), não estranhe no sul de Minas notar crianças portando, junto aos livros escolares, manuais com “Os sete passos para produzir um bom café”.

Quando nascem elas já sentem o ar impregnado do odor afável da rubiácea. Mais tarde, no olho, dirão quantos balaios cada um daqueles pés irá encher. Pode ir lá conferir.

O café, como outros produtos, segue a lógica de um mundo que transita, há pelo menos duas décadas, para uma nova ordem econômica.

Se, no passado, o consumo da bebida aumentava de forma moderada, pois dependia do humor industrial e do frio em países do hemisfério norte, hoje, o maior crescimento vem dos países emergentes, que fizeram a média mundial, entre 2000 e 2010, chegar a 2,5% a.a.

Ainda que 54% do consumo estejam nos importadores tradicionais (EUA, Europa e Japão), 18% nos emergentes não produtores (Rússia, China, Coreia, etc.), e 28% nos produtores (Brasil, Índia, México, etc.), tudo indica que a nova ordem permitirá, no futuro, taxas de crescimento semelhantes às da última década.

Nas classes sociais em ascensão, pela aquisição do hábito; nas já estabilizadas, pelo acesso a padrões de melhor qualidade e inovação tecnológica no preparo.

Hoje, o café espresso é a forma de preparo que mais cresce no mundo, assim como é grande a expansão de lojas especializadas, máquinas domésticas e certificações. Apelos que serviram para atingir os jovens.

No futuro próximo, os dois principais promotores de consolidação do Brasil no mercado internacional de café estarão ligados às qualidade e sustentabilidade do produto.

No segundo, vamos melhor. Antes de o planeta perceber a importância da preservação, o café orgânico e sustentável foi uma das primeiras culturas com produtores dispostos a aderir a forma de manejo, atraídos pelos custos menores de manutenção das lavouras e preços maiores pagos pelos importadores.

Já na qualidade, nossas origens de maior expressão, “Oeste da Bahia”, “Mogiana Paulista”, “Sul de Minas” e “Cerrado”, não fizeram marketing suficiente para superar “marcas” menores, mas de maior carisma, como Colômbia, Costa Rica, Guatemala.

Caminha-se, no entanto.

Mas nem tudo são as lindas flores em nossos cafezais.

Assim como já escrevi sobre a crise de consumo por que passa o suco de laranja, ameaçado por outras bebidas industrializadas, também o nosso cafezinho precisará reforçar-se para o combate.

Voltarei ao assunto.