A maioria dos analistas baixou sua projeção para o crescimento em 2013. Na melhor das hipóteses, entre 3% e 3,5%.

Continuo apostando em taxa superior aos 4% previstos pelo governo. Beiraremos os 5%. O fato de o PIB ter sido abaixo do esperado, só reforça o que escrevi semana passada, pois o resultado de 2013 será calculado sobre base baixa.

O mesmo aconteceu com a Argentina em meados da década passada e fez muitos se deslumbrarem com suas altas taxas. Reclamava-se do Brasil sem lembrar que os índices portenhos ocorriam sobre bases de um país, antes, quebrado.

O índice de 0,6% no 3º trimestre de 2012 só não foi menor devido à agropecuária, que ajudou com 2,5%. A indústria de transformação, apoiada por medidas seletivas, cresceu 1,1%. Os dois setores terão melhor desempenho em 2013. Para o primeiro, há uma conjuntura favorável explícita. Para o segundo, o governo corre atrás.

Curioso é a média ter sido posta abaixo pelo zero do setor de serviços, onde vicejam os bancos. Culpa-se a inadimplência. Mas essa cresce em milésimos. A perda grossa de rentabilidade veio da queda dos juros.

Não era isso que havia muitos anos perseguíamos? Juros mais baixos não ajudarão os demais setores?

Conjunturas e intervenções diretas na economia, certas ou erradas, costumam levar algum tempo para darem as caras nos índices.

No início de seu mandato, o atual governo pesou demais a mão. Ferrou o crescimento dos últimos dois anos.

Vamos à China.

Lembram-se? Suave ou estrondoso seu pouso faria o mundo parar. Não importariam mais nossos alimentos e outras commodities. O comércio internacional estaria irremediavelmente perdido.

Faz o que isso? Um ano? Menos? Seis meses?

Há duas décadas, pelo menos, conto as esquinas onde analistas anunciam e depois se escondem para assistir ao pouso forçado da economia chinesa. Frustram-se.

Os mais espertos chegaram a pedir cautela. Viam riscos em aceleração tão vigorosa. O país, feito aqueles centroavantes burros que baixam a cabeça e varam o alambrado, poderia dar de encontro com Coreia e Japão.

Bastou a primeira queda da taxa de crescimento – céus! 9,5% – passaram a temer que os chineses se afogassem no Mar das Filipinas.

O mundo ficou muito tempo sem prestar atenção nas transformações sociais e econômicas que ocorriam na China. 

Pobre, subdesenvolvido e de grandes extensões territorial e populacional, às potências hegemônicas e aos idealistas de um regime igualitário no pós Guerra, restava apenas ficarem de olho nos movimentos do comunista Mao. Contra ou a favor.

A rapidez com que a sociedade chinesa se transforma, desde 1978, parece maior do que se pensa nas academias ou no Departamento de Estado norte-americano.

O mês de novembro serviu para mostrar retomada no setor industrial chinês. A primeira expansão em 13 meses.

É esperada reação forte do crescimento no quarto trimestre, passando dos 7,4% do terceiro trimestre para 8,4%.

Diante das evidências de retomada, os analistas voltam às esquinas para invocar o “artificialismo dos números da economia chinesa”.

Serão artificiais os mais de US$ 24 bilhões de investimentos chineses em execução no Brasil, entre 2007 e 2012, conforme dados divulgados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID)?