Conversar com os amigos é ótimo. Bater papo com desconhecidos é melhor ainda. A expectativa de ofender/não ofender o outro nos excita de tal forma que atirar palavras pelo ar surge como uma nova forma de galantear.

Os grandes escritores e jornalistas tradicionais criticam as redes sociais como se elas fossem tentáculos de um grande monstro marinho. As crianças ficam bestas. O cérebro derrete e escorre pelo nariz. O sedentarismo? Sem ele não viveremos.

De fato, reconheço que a internet vem causando males à sociedade. Mas, quem é que não faz coisa errada? Ninguém é perfeito. Muito menos o mundo online criado por humanos. Através dos “bate-papos”, desconhecidos, tímidos, feios e belos criam pseudônimos, caricaturas e personagens para “soltarem a franga ou o galo” que existe dentro de todos nós.

As pessoas, quando estão online ficam mais carinhosas. Qualquer um torna-se “meu amor” e uma simples menção é agradecida com muitos “bjos” e agradecimentos longos, como se uma “curtida” fosse um título de Cidadão Honorário de São Paulo, ou até um Nobel da Paz.

Tudo leva a crer que as redes sociais ajudam os carentes. Quem tem mais amigos é mais popular. E quem é popular é popular! Todos querem estar no palco. Se o corpo não quer, a alma fica à espreita. Qualquer oportunidade pode ser a única.  O álcool também ajuda. Porém, a cara ainda estará à disposição do tapa. E ele dói.

Schopenhauer dizia que a maior parte da vida é sofrimento. A alegria é sempre parca. Dura pouco. Quando anoitece, a melancolia bate à porta. Bem, talvez ele esteja certo. Talvez. Não posso negar que sofremos. E muito. Amores perdidos. Empregos perdidos. Gols perdidos. Nós mesmos, perdidos… O avatar nos salva. É uma droga cheia de reações adversas. De vômitos a urticaria. Insônias e diarreias. A gente corre o risco. É bom.

Muitas vezes recebia mensagens muito carinhosas de pessoas que não conhecia. Ficava a imaginar até onde era verdade. Minha vista não alcançava a franqueza lá no horizonte. Engano meu. Muitas vezes as mascaras trazem a alma para fora e o ser carinhoso, trancado no calabouço resolve sair. Bem intencionado ou não, as palavras saem. Os olhos leem. Existe retribuição e o carinho virtual persevera. De vez em quando é bom poupar os palpáveis.

Num dos grandes sucessos da banda Só Pra Contrariar, o cantor Alexandre Pires dizia assim: “O que o corpo faz a alma perdoa”. Invertendo a situação, será que o corpo perdoa o que a alma faz? Creio que não. Quando a gente clica em “sair”, o bípede apático volta ao mundinho de meu Deus já sonhando com as atualizações de amanhã. Facebook e Twitter mantêm boa parte do mundo. Bom ou ruim, os indiferentes também entregam rosas. Todos querem estar no mesmo lugar. Porque, como Niemeyer, o sonho é popular.

 

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