Unir o útil ao agradável favorece o objeto. Prender a respiração é como parar andando. Perder a hora é como ser um deus. Ter pesadelos é como acordar em meio ao caos. Acreditar em algo é como confiar em si mesmo, no outro, no santo, no céu, no útil e no agradável. Comparar é como explicar sem explicar.

Buscar o sobrenatural ainda traz felicidade. Dá dinheiro, audiência, 15 minutos de fama e inimizades. Vasculhando na rede, encontrei um blog de um ateu que muito me interessou. O cara, que se dizia jornalista, publica quase que diariamente notícias de “cristãos” ou líderes religiosos que cometem crimes, dos mais brandos aos mais horrendos.

Deve dar o maior trabalho manter esse blog. O jornalista, ao acordar, possivelmente já tem em mente um único objetivo. Ou dois: Procurar notícias recentes de padres ou pastores pedófilos e relembrar casos do tipo já esquecidos. Não mais que isso. O tal blogueiro se diz ateu. Pela linguagem, dá a entender que é culto, mas os sofistas de Atenas ainda vivem em nosso meio.

Numa das matérias, lia-se: “Iremos fazer de tudo para abolir a oração do ‘Pai-nosso’ que é realizada obrigatoriamente em algumas escolas do Brasil. Nosso país é laico, sendo então impossível a realização desse tipo de atividade, ainda mais forçada”. As crianças estão muito preocupadas com a oração. Se tirarem a reza matinal e diária das escolas, o ensino vai melhorar, a nota do IDEB vai subir e a educação brasileira será melhor que a da Suíça. Tirem Deus e ponham o Hino Nacional!

Alguns ateus tem o péssimo hábito de criticar e descrer os credos dos outros. Eu disse alguns ateus! Talvez isso aconteça pela falta de conhecimento, carência de afeto ou traumas infantis. Essas pessoas criticam os atos horríveis que certos líderes religiosos cometem não pelo crime em si, mas pelo fato de serem “homens de Deus!”. Pensar assim dá a entender que o abuso sexual, por exemplo, pode ser grave ou não. Depende do abusador. Vergonhoso, não é? Não há diferença. O crime é o mesmo. São todos homens. Todos imperfeitos, passíveis de erro. São pais e pastores. Padres e tios. São só homens. Os abusos, roubos e demais mazelas sempre serão delitos. O criminoso é um detalhe. Qualquer um pode errar e, se for o caso, deve ser punido severamente pelo erro. A justiça serve pra isso. É o que se espera.

Mas todos podem crer em qualquer coisa ou descrer no todo e em tudo. Durante a história, os crentes sempre foram vistos como ingênuos, acéfalos e sombrios. Os ateus, céticos, agnósticos e demais ramificações da descrença eram e ainda são as referências pensantes da humanidade. Os descrentes não podem ser submissos a um deus. É muito pesado. Sofrível. Penoso. Não dá. Os que creem em Deus, por desconhecerem a liberdade ou o contrário, esperam que o alento e o desprezo desapareçam, como um flash de luz.

Para os credores, os ateus estão perdidos. Para os céticos, nada foi achado. Procurei outro blog especializado em criticar ateus pedófilos, larápios e etc. Não achei. Deve existir, talvez, mas o destino não quis que eu encontrasse. Destino?  Credo! Sai pra lá que não creio nisso. Ou creio? Bem, o fato é que os ateus são bons demais para fazerem coisas erradas. E se fazem, não tem problema. A quem darão satisfação? A Deus? Rá Rá Rá…

A liberdade religiosa é importantíssima para um país quase ex-colônia como o Brasil. Nossa terra está longe de ser um reduto de iluministas. Voltaire não faz sucesso na terra do créu. Se os agnósticos fossem até o sertão da Bahia e afirmassem aos meus conterrâneos (que já sofrem com as moléstias da seca) que Deus não existe, nada os convenceria. Para quem não tem nada, acreditar em alguma coisa dá alento, esperança. Os que não acreditam em nada, não se acreditam. Todos creem ou não. É lei. É opção. É fé. É foice. Motejos ou preces.

Os crentes lutam diariamente pela conversão dos transeuntes. Os ateus também. Também? Mas eles lutam pela conversão ou reversão? Bem, é de se esperar. Todos querem o Messi jogando no time do coração. Uns querem Deus. Outros não. 

 

Twitter @DiegoSchaun

Facebook facebook.com/DiegoSchaun