“Compara-se muitas vezes a crueldade do homem à das feras, mas isso é injuriar estas últimas.”

Fiodor Dostoiévski 

E as necessidades? São muitas. São tantas. São bentas. São Paulo. Ah, terra da garoa! Todos te amam. Todos te odeiam. Suja e limpa. Embaçada e diáfana. Convicta, ortodoxa, fiel e cínica. Só São Paulo é assim? Obviamente que não. O mundo é desta forma. As pessoas são esta forma. Esta é a forma. Esta é.

Enquanto estou aqui, a divagar coisas nada auspiciosas, alguém se regozija. Esta pessoa, num ato de bravura e loucura, deixou de ser uma minúscula tacibura para tornar-se o rei momo. Que dó! Que dó! Que pesar!

Tem gente que inventa o vento e se sente Deus. Tem gente que ganha dinheiro e acha que é rico. Tem gente que ganha a briga e acha que ganhou. Tem gente que tem ideias totalmente dispensáveis e se acham forças motrizes. De quê? De quem?

Ora, pois, este indivíduo, que pensou na brilhante ideia de cobrar cem centavos por uma mijada vale menos que um cálculo renal. É mais sujo que a descarga imunda que abranda a amarelidez da urina. E ele pensa em ser grande. Ele acha que ganhou a briga.

Um dos maiores males do mundo é a burocracia. Por causa dela a sanidade vira um fiasco. Roubar, cheirar, matar, desviar verba e sucumbir no crime são coisas fáceis de fazer. Mui fácies. Trabalhar, conseguir uma bolsa, pensão, indenização, e mijar, pelo contrário, são atos de alta dificuldade e periculosidade. Subversivos. Quem arriscaria? Sai muito caro. A peleja é grande!

Se um indivíduo, tenso, com pressa, desesperado, com olhos arregalados e movimentos rápidos chegar à porta de um shopping center e correr para o banheiro ele pode encontrar um segurança e uma catraca. Numa placa, ao lado da entrada celeste, os dizeres imperam: Valor R$ 1,00. Curto e grosso.

Gente, procurar moedas quando se está apertado para fazer xixi é insano! Quando a bexiga está cheia a gente não pensa. Dois mais dois são três. O Palmeiras é preto e branco e qualquer outra coisa, qualquer uma, é menos importante. O alívio do mijo é inenarrável. Privar, ou melhor, cobrar para tirar água do joelho e outros subsídios que vez ou outra aparecem, faz mal. Leva ao inferno. Deus castiga!

Tudo bem que as coisas privadas podem privar. Só que as exceções são necessárias. Ou seja, se o cara só tiver noventa centavos, ele não pode fazer suas necessidades fisiológicas em banheiros terríveis com lindas mensagens em suas portas. Imagine-se sentado, meio que agachado (para não pegar nenhuma bactéria esquecida) e de repente você olha para frente e lê pornografias mil, telefones para programas e desenhos eróticos? Esse é o preço. Um real! Depois reclamam que as pessoas de rua só usam postes, escadas e canteiros. É fogo viu!

 

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