Duas famílias de origem italiana. Duas bodegas fortes e  exemplares. Ambas em Mendoza. Mas uma com menos da metade da idade da outra.

A caçula.

Alberto Zuccardi construiu um império vitivinícola em Mendoza. Sua família era do ramo de construção quando, a título de demonstração de técnicas de irrigação, começou a plantar vinhas. Hoje Alberto é dono da maior vinícola argentina com capital 100% nacional. Produz vinhos excelentes em todas as faixas de preço. Seu ícone, o Zeta, coleciona prêmios e vitórias em degustações às cegas. Poderia estar tranquilo. Mas nem ele nem seu filho Sebastian parecem querer sossegar.

Numa visita à Zuccardi, pudemos ver os novos projetos destes inquietos ítalo-andinos. Com sua simplicidade e energia, Alberto acompanha o filho, de formação enológica na Universidade Davies, na Califórnia. Sebastian busca incessantemente por novidades. Alberto fala entusiasmado sobre o futuro do vinho argentino e suas pesquisas com cepas italianas e portuguesas, entre outras. Sebastian completa com jovem entusiasmo o cenário a partir da colaboaração com o geólogo Pedro Parra.

Mas não ficam na conversa. Numa prova interessantíssima, degustamos vinhos de uma mesma cepa provenientes de vinhedos próximos, mas com solos diferentes. Há quem duvide. Mas basta provar e crer. As diferenças em termos de acidez, concentração, etc. são enormes. A multiplicação das pesquisas de terroir e novas castas promete um novo cenário na vinicultura argentina. E os Zuccardi estarão lá, na vanguarda.

Veja aqui uma entrevista concedida na ocasião ao blog papo de vinho, do colega Beto Duarte.

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A mais velha.

Como já escrevi antes ( aqui ), Felipe Rutini, originário de La Marche, no norte da Itália, filho de vinicultor e formado em enologia, veio fazer a América. Chegou na Argentina para fundar a Rutini Wines em 1885 e produzir alguns dos primeiros vinhos de alta qualidade de Mendoza.

Ele morreu em 1919, mas sua família continuou no ramo e foi a primeira entre os mendoncinos a plantar na região de Tupungato, mais alta e mais ao sul. Vendida nos anos 1990 para um grupo de investidores que inclui Nicolas Catena, a empresa construiu moderníssimas instalações em Tupungato. Veja aqui também uma das duas máquinas de triagem ópticas da América do Sul.

Veja aqui:

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Foi lá que provei seus ótimos merlot safras 2009 e 2010, ainda fora do mercado brasileiro. Versões novas, porém muito elegantes, deste que já foi votado em outras ocasiões o melhor merlot argentino. Vinhos sedosos, encorpados e frutados. Com bom potencial de guarda.

Vale lembrar que sua linha Trumpeter tem ótima relação qualidade-preço, na faixa dos R$ 50, e é facilmente encontrada em lojas e supermercados. Importação da Zahil. Não deixe de provar seu malbec. No próximo post falo de outros.