Encerrando a série sobre minhas desgutações nas bodegas argentinas que visitei no final de 2012, entre Mendoza, Rio Negro e Patagônia, quero destacar duas novidades que muito me impressionaram: Bodega do Desierto e Secreto Patagônico. Além destas, há outras que vão merecer colunas específicas, como Humberto Canale, Altos las Hormigas, O. Fournier, Familia Schroeder e Colomé.

A pequena Secreto Patagonico é uma empresa familiar fundada em 2000. Seus vinhedos estão a 45 km de Neuquén e seu enólogo responsável é Marcelo Miras (o residente é o francês Thomas Cristán).

Seus vinhos Mantra, que têm três importadores regionais no Brasil, La Charbonnade (RS com representante em São Paulo), Supermercado Zona Sul (RJ) e Supermercado Verdemar (MG) são varietais com o uso de madeira muito bem dosado. O Chardonnay 2011 tem cor palha, limpo, aromas cítricos e tropicais, é seco e crisp, com corpo médio. Paladar intenso e longo.

O Mantra Pinot Noir 2011 foi dos mais interessantes que provei na Argentina. Cor rubi clara, aromas típicos de cereja. Ótima acidez, taninos firmes e corpo médio. Elegante, com toques claros de frutas vermelhas, longo. Não se sentem os 14% de álcool como um incômodo. Seu preço FOB é U$ 6. Toda a linha, incluindo seus cabernets e malbecs, é séria candidata  a bestbuy. Resta saber quanto pagaremos por aqui. Veja no video emprestado por Beto Duarte um pouco do lugar:

Imagem de Amostra do You Tube

O projeto Bodega del Desierto não tem este nome à toa. As fotos dos terrenos antes da plantação dos vinhedos e que inspiram o design dos rótulos são impressionantes. Areia e chão rachado. Só. Localizada no Alto Valle do Rio Colorado, na província de La Pampa, em meio à aridez deste deserto, utiliza-se de águas provisionadas do rio para irrigar seus 140 hectares de vinhedos que começaram a ser plantados apenas com clones franceses (exceção feita à malbec) em 2001.  De sua moderna bodega, sob consultoria de Paul Hobbs, experimentei três vinhos.

Da linha mais básica, o Desierto 25 Cabernet Sauvignon 2009 me pareceu interessante mas com taninos muito adstringentes. Gostaria de provar novamente em alguns anos, pois tem potência, acidez e boa fruta.


Da linha Desierto Pampa, o Syrah 2009 tem intensidade média de frutas vermelhas e da madeira ao olfato. Na boca é de ótima acidez, taninos firmes, encorpado, e intenso sabor de groselha. Final médio. Ainda aguenta uma guarda de uns 5 anos.

O Malbec 2009 é rubi brilhante, com aromas de passas, cacau e especiarias. Seco e de boa acidez, corpo médio, taninos firmes, traz à boca frutas negras. Longo e intenso. Perfeito acompanhamento para um bife ancho bem suculento. Apesar de não constar ainda importador, esperemos em breve na faixa dos R$ 75.