A Suíça é um país único. 

Está encravado dentro da União Europeia, mas prefere se manter nêutro. De qualquer forma segue o Tratado de Schengen. Ou seja, em relação às fronteiras, é Europa. Mas utiliza sua própria moeda, o franco.

Esteve por 50 anos fora da ONU – só agora aceitou tomar parte, mesmo assim limitando o investimento. Sem festa, sem banda de música.

As regras são conhecidas na Suíça. O poder é da população, no mais perfeito exemplo de democracia direta que se conhece. Os 26 cantões – uma espécie de estado – são autônomos. Mas a Federação Helvética vive em harmonia com 7 representantes que formam o comitê de gestão. E se revezam na condição de Chefe de Estado. Eleitos e reeleitos a cada ano.

Deputados? São 200, que se reúnem, normalmente, 3 vezes por ano.

Senadores? Apenas 46, também com raros encontros.

A atenção dos legisladores está focada no seu cantão. É ali que as coisas acontecem. As reuniões em Berna são para deliberar. É muito caro manter tantos legisladores fora dos cantões.

O cidadão é chamado a opinar sempre que um tema possa mexer com sua vida. Mudança no orçamento precisa passar por plebiscito. Mudança no sistema de saúde também. E mesmo a troca do parque de estacionamento na estação de trem de uma cidade precisa ter o OK do cidadão. Cada cantão decide o grau de participação do cidadão. Cada cidade ou vila também.

No Brasil a democracia faz os eleitores votarem de dois em dois anos e não há muito maior participação cidadã que isso. Em algumas cidades discute-se o Orçamento Participativo, hoje menos que há alguns anos. Saiu de moda.

Mas há assuntos que não estão claros e que muitas vezes passam por manobras políticas, que mereceriam maior discussão. Inclusive com a participação do cidadão.

A Usina de Belo Monte é um deles.

Por mais que se tente explicar e justificar o orçamento aprovado, que hoje beira os R$ 30 bilhões, há tantas questões em aberto que seria necessário discutir mais e chamar o povo a opinar. Um plebiscito, depois de muita exposição sobre vantagens e desvantagens da obra.

O que não é correto é empurrar uma megaobra que cheira a superfaturamento e que não garante resolver os problemas de energia do país.

O Brasil precisaria ter um pouco de Suíça na alma.