A crise do Euro acertou em cheio toda a cadeia produtiva de Itália, Espanha, Portugal e Grécia, certo?

Errado. 

A produção de azeite de oliva está cada vez melhor. Basta dizer que um a cada dois italianos considera o azeite de oliva símbolo do patrimônio alimentar italiano, ao lado do vinho e à frente das massas.

Parece pouco? No ano passado o desempenho do azeite de oliva da Itália bateu todos os recordes: 400 mil toneladas exportadas, deixando algo como $ 1,2 bilhão de Euros no caixa (algo como R$ 3,2 bilhões). Dos quase 3 milhões de toneladas de azeite de oliva produzidas a cada ano no mundo, o Brasil só aparece como consumidor. Diferentemente de Chile e de Argentina – dois produtores de vinho e de azeite de oliva – não se produz o óleo por aqui.

Dois terços da produção de azeite de Oliva na Itália se concentram nas regiões da Apúlia e da Calábria, favorecidas pelo clima quente, pela qualidade da terra e pela mão de obra farta. Da ilha da Sicília vem cerca de 10% do azeite de oliva italiano, com qualidade superior às regiões vizinhas. Possivelmente a produção siciliana ainda guarde herança cultural da época da Magna Grecia (Século V A.C.) e ainda é possível encontrar rudimentares prensas de azeitonas espalhadas em alguns sítios arqueológicos.

Verdade que o hábito de consumo gastronômico do brasileiro, bastante influenciado pelos europeus, adotou o azeite de oliva – extra-virgem, é claro – na dieta diária. Pizza? Com deliciosos fios de azeite de oliva. Salada? Sem azeite de oliva não tem graça. E o óleo delicioso está cada vez mais presente em receitas da culinária.

Vale a pena saborear cada gota de um bom azeite de oliva. É mais que tempero, é saúde. Sem contar seu gosto especial, ajuda no combate à arteriosclerose, não tem colesterol e ainda traz benefícios ao pâncreas e ao estômago.

Ou seja, não há desculpas para não ter uma garrafa na mesa e outra na cozinha.

 

Reportagem fotográfica: Victor Sokolowicz/Especial/Sicília, Itália