"Olhe bem para o rosto do urso. Ele estará olhando para o seu. Olhos nos olhos. Ginga para um lado, ginga para o outro. Fique calmo e não caia nessa simpatia. O urso é traiçoeiro, quer conquistar você. Você não vai ter outra chance. Aponte a pistola para a cabeça, bem entre os olhos do urso. E atire, sem pensar duas vezes. É ele ou você. E se você errar prepare-se para virar refeição de urso"

Essa lição quase macabra é o primeiro conselho que o turista recebe de qualquer pessoa ao chegar no Arquipélago de Svalbard, mais de 500km ao norte da costa da Noruega. O território também é domínio da coroa norueguesa e é a localidade habitada mais próxima do Pólo Norte. Cerca de 3000 pessoas vivem naquele frio. Em julho a temperatura – em dias ensolarados – chega a 6 ou 7 graus Celsius. No inverno escuro não passa de -15C.

Alguns turistas gostam de passar trabalho e vão escalar geleiras em Svalbard. Aí o conselho precisa ser levado a sério. Acontece que nos meses de inverno o mar congela naquela região e os ursos se aproximam, em busca de alimentos. Carnívoros, os gigantes brancos esperam alguma presa fácil. Para eles, humano ou felino é a mesma coisa. Basta ter sangue quente. 

Em agosto do ano passado um urso polar matou um inglês e feriu mais quatro turistas. Estava com fome. O britânico não quis usar sua pistola. Parece cruel, mas é a lei da sobrevivência. O urso precisa comer – e no extremo norte nenhum animal resiste ao frio como ele. Quem estiver mais próximo vira jantar.

Diferentemente do Pólo Sul, no Norte a vegetação é escassa e não há vida. O Ártico se move, está sobre gelo, enquanto a Antártica é terra firme. Por isso fauna e flora são bem diferentes. O urso polar é um dos raros animais a viver nessas condições. E ele precisa comer.

Em Longyearbyen, principal cidade do arquipélago, os avisos estão por toda parte: não saia à noite. É um toque informal de recolher. Mas há quem queira desafiar a sorte – e quase sempre se dá mal.

Por isso, se está entre suas metas procurar a aurora boreal de Svalbard, ou hibernar três meses praticamente sem sol, coloque na mochila uma pistola. Ela é item fundamental para quem passeia na região.