Cristina não gostou da caricatura

A União Europeia, que reúne 27 países no Velho Continente, baseia-se em poucos e definitivos princípios: moeda única, abolição de fronteiras e mercado comum, com legislação única que garante equilíbrio nas taxações. Simples assim.

O Mercosul, que reúne 5 países da América do Sul, apresenta 5 moedas diferentes, fronteira extremamente burocratizada e um mercado que inventa impostos absurdos e acaba por prejudicar produtos básicos da economia interna. Complicado assim.

A UE nasce com apenas 6 países em 1958. Na década de 90 já eram 12. Hoje, além dos 27 membros, há quatro associados – que respeitam princípios de fronteiras e taxações – e cinco na fila, tentando entrar no bloco. 

O Mercosul nasce com 4 países – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – em 1991. Neste ano aceitou a Venezuela como novo membro. Dois outros – Chile e Bolívia – são associados, estando este último na lista de espera para uma vaga permanente.

Na prática a diferença é a seguinte: você pega um carro em Portugal, atravessa a Espanha, a França, a Alemanha e chega na Holanda. Não houve barreiras ou pedido de passaporte, o dinheiro é o mesmo Euro em todos os países e o custo de uma garrafa de vinho é bastante semelhante nos mercados de cada país.

Agora faça a mesma aventura no Mercosul (cuidado com os buracos nas estradas). Pegue um carro no Paraguai. Gaste 3 horas para tentar passar a fronteira com a Argentina – e não esqueça da Carta Verde, um esdrúxulo seguro necessário para trafegar nos países do Mercosul. Depois encare a fronteira com o Uruguai e venha ao Brasil, com mais perda de tempo na zona limítrofe. Cansado? Isso porque você ainda não tentou entrar na Venezuela, com seus eternamente arrogantes e desconfiados guardas de fronteira. Se você conseguiu ingressar nos países, lembre que cada um tem sua própria moeda e que o câmbio é muito melhor se você levar dólares americanos. Ah, sim, o câmbio negro vale mais que o dobro na Argentina e na Venezuela. E a garrafa de vinho? O melhor é comprar todo o farnel na Argentina, onde os preços são absurdamente menores que nos demais países, castigados com impostos de importação.

O Mercosul é uma grande farsa. Tão fajuto que tenta enganar a si próprio. Há poucos meses suspendeu o Paraguai por violar a constituição nacional ao permitir um golpe de estado para derrubar o presidente Lugo. Muito justo, uma decisão de bloco. Mas como explicar que na mesma reunião que suspendia o Paraguai o Mercosul aprovava a entrada da Venezuela, cuja constituição é uma permanente colcha de retalhos, em que o presidente em exercício manda e desmanda? Só para lembrar, os eleitores recusaram – em plebiscito – a mudança da constituição que propunha a reeleição eterna do chefe do executivo. Meses depois, um canetaço aprovou a medida. Hugo Chávez foi reeleito. De novo.

E a Argentina? Tudo bem que a presidente Cristina Kirchner afaste o Procurador Geral da República por investigar problemas de corrupção do vice-presidente? Tudo bem que ela processe o cartunista Hermenegildo Sábat por seus desenhos críticos e cheios de humor?

O Mercosul está falido. É uma grande farsa, que consome o dinheiro público dos países – inclusive o do Brasil. Serviu de cabide de emprego para o ex-secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, e seus orçamentos gigantescos. Hoje é uma grande bobagem. A melhor solução seria afundá-lo imediatamente, desativá-lo antes que o estrago seja ainda maior.

Com 21 anos um jovem tem responsabilidade civil plena. Com 21 anos o Mercosul ainda engatinha. E não tem solução.