Porto Alegre sofreu com meia hora de chuvas, quarta-feira. Um volume de água equivalente à soma do esperado para 20 dias.

OK, a natureza castigou quem corta árvores sem critérios, quem não preserva o meio ambiente, mas essa é outra história.

O problema é que a força das águas estourou o Conduto Álvaro Chaves, a mais importante obra de drenagem de chuvas da capital gaúcha, um emaranhado de 15 mil metros de canos subterrâneos que servem para liberar a cidade de enchentes. A obra do Conduto começou em 2005 e terminou em 2008, na gestão do prefeito José Fogaça. Antes, nos 16 anos da gestão PT, a obra foi diversas vezes analisada, mas não saiu do papel.

A obra custou R$ 59 milhões e foi executada pelo Consórcio PMR.

Parecia que tudo andava bem, até que quarta-feira – durante a chuvarada – surgiram crateras na Avenida Bordini, uma das principis artérias da cidade. Por pouco carros e pessoas não foram engulidos pelos enormes buracos. No dia seguinte mais crateras, agora na vizinha rua Doutor Timóteo.

Sem entrar no mérito a chuva, é fácil entender a lógica do problema: se o Conduto existe para drenar a chuva, como é que a própria chuva consegue acabar com ele?

Resposta de R$ 59 milhões: a obra foi mal feita. Como tantas outras obras públicas, não houve fiscalização adequada. Certamente utilizou-se material inapropriado, a prefeitura fechou os olhos para os detalhes e o resultado são vergonhosos e perigosos buracos. Um mico da prefeitura.

A culpa é de todo o sistema cultivado pelas administrações das prefeituras de Porto Alegre e da esmagadora maioria dos municípios brasileiros, de ser conivente com erros de projetos em benefício da conclusão dentro do prazo – casualmente, um pouco antes das eleições.

O asfalto das ruas segue a mesma lógica: material de baixa qualidade, preparo insuficiente, para resistir apenas poucos meses. Assim a mesma empresa é chamada em seguida para remendar a obra, com novo orçamento, é claro.

A responsabilidade, agora, está nas mãos do prefeito José Fortunatti. Ele era vice de José Fogaça na época e conhece bem as tramoias da obra do Conduto. Só que agora a cidade inteira se deu conta também.

Ou o prefeito cobra do consórcio que fez a obra a recuperação de todo o Conduto – com uma pesada multa para compensar os danos ao tráfego urbano durante o remendo – além de demitir os fiscais incompetentes que permitiram a execução dessa vergonha, ou é melhor que ele mesmo peça demissão.

O tamanho do mico é gigantesco como a cratera da Bordini. E não passará despercebido.