Garopaba é uma pequena praia 100km ao Sul de Florianópolis, 400km ao Norte de Porto Alegre. Antiga colônia de pescadores de baleia, hoje é um dos locais mais disputados no verão catarinense. Mar verde e calmo, temperatura ideal.

A pequena Garopaba foi "descoberta" por aventureiros gaúchos na década de 60 quando equer havia um hotel. Hoje a infra-estrutura é adequada para a multidão que a ocupa em janeiro e fevereiro. Mas na época da família real virou cenário de um quadro de Jean Baptiste Debret, hoje no Museu Castro Maya, Rio de Janeiro.

O símbolo desde sempre é a acanhada Igreja de São Joaquim, com idade incerta (entre 140 e 180 anos – data atribuída, 1846), erguida com areia do mar, oleo de baleia, pedras, no alto de uma pedra, poucos passos do mar, abençoando o centro. É presença certa em 10 entre 10 fotos de turistas. Simples e bonita, a Igreja está ameaçada. Rachaduras nas paredes, falta de conservação no telhado, cupins nas aberturas de madeira. Garopaba corre o risco de ficar sem seu símbolo.

As iniciativas para salvar o local são tímidas. O governo do Estado prometeu verba, desde que a prefeitura municipal entre com sua contra-partida. Mas nesse jogo de empurra-empurra a Igreja está fechada desde outubro de 2009. Para visitá-la é preciso torcer para um dia de sol e que a voluntária-devota-solitária Maria José apareça, com as chaves.

- Ninguém ajuda a gente – desabaja Maria José, filha de pescadores, por muitos anos responsável por lavar as roupas dos muitos padres que passaram por lá – Querem deixar a Igreja cair, mas eu não vou deixar.

Muitas reuniões em gabinetes fechados já foram realizadas para que se salve a Igreja, mas até agora nenhum real pingou em Garopaba para a obra. A Igreja é patrimônio histórico estadual, mas pode desabar. Há orçamentos entre R$ 100 mil e R$ 500 mil em discussão. Mas enquanto a burocracia emperra qualquer movimento, a maresia segue destruindo o símbolo da cidade.

Se não houver um movimento para salvar a Igreja, em breve será apenas uma recordação nas fotos e cartões-postais.

 

Maria José tem as chaves da Igreja e orienta os turistas