Os italianos elegeram o novo parlamento nos dias 24 e 25 de fevereiro e até agora não houve acordo para a escolha de um novo primeiro-ministro. Há três blocos políticos que conquistaram praticamente 25% dos votos cada um. O último quatro foi pulverizado entre forças menores.

Se fosse no Brasil, seguindo a cartilha da presidente Dilma e seus 39 ministérios, seria muito fácil: abriria-se um sem número de cargos em comissão, mais uma dúzia de ministérios e um punhado de estatais. Pronto, todos estariam contentes em um grande acordo em nome de uma suposta "governabilidade".

Mas que governabilidade é essa?

No Itália, que nos últimos anos esteva polarizada entre o centro-esquerda dos Democratas e a direita de Sílvio Berlusconi, apareceu um fato novo. Nem esquerda, nem direita, muito antes pelo contrário. O Movimento 5 Estrelas, do humorista Beppe Grillo, surgiu como uma piada vista pela imprensa tradicional. Só que os jovens entenderam que por trás das brincadeiras de Grillo havia uma proposta séria, diferente, que questiona o be-a-bá da política. Põe em xeque a tal governabilidade, em outras palavras.

Grillo lançou ideias e decidiu não se candidatar. Prefere ficar em casa, mas segue na liderança do movimento. Recusou qualquer oferta de cargos e tramoias que garantissem votos para que esquerda ou direita chegassem ao poder. "Não com o apoio do M5S", diz o neopolítico, sem nenhuma preocupação em acelerar negociações para que se chegue a um pacto com os políticos tradicionais. "Só apoiaremos quem estiver de acordo com nossas ideias". Para ele, o novo primeiro-ministro deve vir do seu movimento.

Não confunda Beppe Grillo com Tiririca. O palhaço brasileiro aceitou candidatar-se pelo inócuo PR – convencido pelo político mais-que-tradicional Valdemar Costa Neto – e já na campanha dizia não ter qualquer ideia ou projeto. Como protesto colecionou mais de um milhão de votos e elegeu na esteira outros três deputados. Grillo tem planos, propostas e parece ser um perfeito político sem contaminações das velhas práticas.

Para se entender melhor Beppe Grillo seu blog é um sucesso: http://www.beppegrillo.it/. Seus vídeos estão no YouTube, hilários.

É bom conhecê-lo um pouco mais porque a Itália de hoje pode ser o Brasil de amanhã. A decepção de eleitores jovens com o sonho que prometia ser o governo PT desmoronou a partir do Mensalão. E é ainda maior a cada novo ministério da presidente Dilma. Partidos menores como PSOL, PSTU ou PCO ganham espaço, bem como a Rede de Marina Silva. Mas não chegam a ser uma quebra, como o ideal de Grillo.

Esse quadro de desilusão é propício ao surgimento de uma nova classe política: os políticos não profissionais, como Grillo.

Parece loucura? Na Itália também era, até que o M5S (Movimento 5 Estrelas) ganhou um de cada quatro votos. E está se desenhando um quadro de novas eleições ainda em 2013, quando não será surpresa de o M5S ficar com a maioria.

É bom ir procurando um Grillo brasileiro.