POR ODILON RIOS

Terra do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), a cidade de Murici (46 km de Maceió) vive uma onda de terror. Em um mês, foram registradas duas chacinas- a últimas delas neste final de semana, com dois mortos e um ferido. Nos dias 19 e 20 de outubro (sábado e domingo) foram quatro assassinatos.

Segundo a polícia, o motivo é acerto de contas do tráfico de drogas, que domina a cidade.

Murici tem 27 mil habitantes, segundo dados do IBGE, e tem um dos piores índices sociais do Estado: metade da população é analfabeta, os jovens não têm emprego e o Bolsa Família e as aposentadorias é quem movimentam a economia da cidade.

No Centro existe toque de recolher. Na favela da Portelinha, a polícia e o prefeito, Remi Calheiros (PMDB, irmão de Renan) são proibidos de entrar. Os Calheiros mandam em Murici há 30 anos.

Em outubro, onze pessoas foram presas acusadas de execuções em Murici. O líder do bando era Everton da Silva Ferreira, de 22 anos, o "Satanás". Mesmo assim, os homicídios não param. Duas guarnições da PM fazem a ronda na terra de Renan, que aparece só de passagem em Murici.