POR MARINA DIAS
 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao prefeito reeleito em São Bernando do Campo, Luiz Marinho, que buscasse o apoio do deputado federal Paulinho da Força (PDT) ao candidato petista, Fernando Haddad, para o segundo turno das eleições em São Paulo.
 
Marinho conversou com o líder pedetista, que ficou em sétimo lugar na disputa pela prefeitura da capital paulista, antes mesmo das eleições de domingo (7) e, de acordo com interlocutores do prefeito, "há muitas chances" de o PDT declarar apoio a Haddad nos próximos dias.
 
O sindicalista obteve apenas 38.750 votos para prefeito, menos do que muitos vereadores eleitos para a Câmara Municipal. Em 2010, quando foi candidato à Câmara dos Deputados, Paulinho teve 267.208 votos, 228.458 a mais do que conseguiu no domingo (7).
 
É por isso que, segundo dirigentes petistas, o apoio de Paulinho não deve "custar caro" ao PT, além de ser "simbólico" trazer um partido de causa trabalhista para o lado de Haddad. "Paulinho não tem o que cobrar com essa quantidade de votos que teve, mas será bom ele estar junto com o PT nessa etapa de segundo turno", diz um dos caciques do PT, companheiro de Paulinho em Brasília.
 
No entanto, mais do que ter o ex-candidato, os petistas buscam apoio dos sindicalistas da Força, que representa 13,7% dos mais de sete milhões de trabalhadores sindicalizados do Brasil. "Vários líderes sindicais demonstraram que estão com a gente a partir de agora", disse Antonio Donato, coordenador-geral da campanha de Haddad e presidente do PT paulistano.
 
Vice-presidente nacional do PDT, o deputado federal André Figueredo reconhece que o desempenho de Paulinho nas eleições municipais não foi satisfatório. "Precisamos reerguer o PDT em São Paulo, prioridade para qualquer partido que almeja o poder", explicou a Terra Magazine. "Paulinho não deve ter se dedicado tanto para as eleições majoritárias quanto se dedicou para sua eleição de deputado, em 2010", completou.
 
Sobre o apoio de Paulinho e do PDT a Fernando Haddad, Figueiredo prefere cautela. "A tendência é que apoiemos Haddad, mas não batemos o martelo ainda. Conversaremos com o PT essa semana". Procurado pela reportagem, Paulinho da Força afirmou que só falaria com jornalistas a partir do meio da semana.
 
Voto útil
 
Algumas lideranças sindicais e até mesmo dirigentes do PT afirmam que o mau desempenho de Paulinho pode ter sido fruto do chamado "voto útil". Ou seja, já que o pedetista não passava de 1% nas pesquisas de intenção de voto, seus eleitores resolveram votar em um dos três primeiros colocados, Celso Russomanno (PRB), José Serra (PSDB) ou Fernando Haddad (PT), que tinham mais chances de vencer.
 
Há quem diga que essa foi uma orientação das próprias lideranças da Força Sindical, avalizada por Paulinho. Outros acreditam que esse foi um "movimento natural". "Já que Paulinho não crescia, muitos preferiram evitar o segundo turno entre Serra e Russomanno e votaram no Haddad, mas isso não foi combinado", disse Maria Auxiliadora dos Santos, secretária-nacional da mulher da Força.
 
Apoio para as últimas semanas
 
Além do apoio de Paulinho da Força, que também já foi buscado pelo PSDB de Serra, na figura do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Gilberto Kassab, o PT quer o apoio do PMDB do ex-candidato Gabriel Chalita, que deve ser anunciado ainda nesta terça-feira (9).
 
Chalita se reuniu com o vice-presidente da República, Michel Temer, na noite de segunda-feira (8), para fechar os detalhes do acordo costurado com o aval da presidente Dilma Rousseff.
 
O PT também procurou o PRB de Russomanno, mas nada foi fechado ainda. "Nossa orientação é buscar os partidos aliados do governo Dilma. Pretendemos angariar o apoio desse eleitor que está desassistido e que pede um novo rumo para São Paulo", afirmou Haddad ao sair da reunião de sua campanha, na segunda. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, é quem coordena as negociações.