Um ano de intenso debate sobre corrupção. Para que se chegasse à dimensão real do problema, tivemos esse patético desfecho da CPI do Cachoeira. Militantes fanáticos, ou desocupados, vão discutir, vão apontar os dedos, acusando-se mutuamente. Mas isso, esse bate-boca vazio, é sintoma de um processo, mais amplo, de apequenamento da Política.
O desfecho da CPI mostra camadas superpostas de hipocrisia, cinismo, oportunismo… mas também de verdades. Se fosse pra valer, a CPI não deixaria pedra sobre pedra na política brasileira. Sem exceções nos grandes partidos. O resto é conversa para fundamentalistas.
A empreiteira Delta estendeu seus tentáculos por mais de vinte Estados. É razoável supor que a Delta usou os métodos de sempre, mas a CPI teve medo de investigar. A Delta teve como parceiros, por exemplo, o bicheiro Cachoeira e o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). Todos se lembram do Demóstenes, não é? Ele foi, por anos, promotor e porta-voz da oposição no quesito honestidade.
A Delta, a partir do Rio de Janeiro, teria que ter investigado o governador Sérgio Cabral, do PMDB. Aquele dos guardanapos em Paris, grande amigo de Fernando Cavendish, o dono da Delta nestes anos dourados. A CPI teria que ter vasculhado pra valer não só o governo de Brasília, de Agnelo Queiroz, do PT. Mas outros governos do partido que tiveram obras e negócios com a empreiteira.
A CPI teria que ter investigado não apenas o governo de Marconi Perillo, do PSDB de Goiás. O que disse, a propósito de PSDB, o Paulo Vieira de Souza, conhecido como "Paulo Preto"?
Ex-diretor do Dnit em São Paulo, no governo do tucano José Serra, Paulo Vieira perguntou, com todas as letras, quando a CPI ainda se arrastava: