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Espanto na praça porque Renan Calheiros (PMDB-AL) é, de novo, presidente do Senado, do Congresso. E porque Henrique Alves (PMDB-RN) vai presidir a Câmara. Espanto e denúncias. Mesmo que tantos sejam sinceros, e que sobrem muitos motivos, são de ocasião boa parte dos espantos e denúncias.

Henrique Alves era candidato já há três anos, e até o gramado do Congresso o sabia. Por que, então, denúncia e devassa apenas na antevéspera da eleição?
 
Henrique está em seu 11º mandato, é deputado há 42 anos. Já deu tempo para a mídia e o eleitorado potiguar vasculharem sua vida.
 
A memória de quase todos é curta. E seletiva. Em 2002 Henrique Alves era candidato a vice-presidente na chapa do tucano José Serra. Até que sua ex-mulher, Monica, o acusou de ter depositado R$ 15 milhões em contas no exterior. Ali Serra perdeu o candidato a vice que havia escolhido.
 
Aquilo deu no quê?
 
Agora, eleito presidente da Câmara nesta segunda-feira, 3, Henrique Alves é acusado de, via emendas parlamentares, ter destinado dinheiro para a empresa de um assessor. Empresa essa que tem como vigia um bode. Ele nega; o deputado, não o bode.
 
Renan Calheiros também teve uma Mônica no caminho, mãe de uma filha sua fora do casamento. Acusado de pagar despesas de Mônica via uma empreiteira amiga, Renan acabou caindo em 2007. Não por conta de um bode. No caso dele foram vacas e bois. Renan disse que o dinheiro vinha da sua boiada.
 
A Procuradoria Geral da República concluiu que as vacas e os bois existem, são quentes, mas diz que as notas fiscais eram frias…
 
É óbvio que essa dupla ascensão vai acabar dando bode para o governo Dilma. Mais um governo refém do PMDB no Congresso.
 
Recordemos: O mesmo Renan foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Que, entre outros do PMDB, teve Eliseu Padilha – Padilha que dá, e deu, rima – como ministro dos Transportes. E Jader Barbalho como presidente do Congresso.
 
Renan e Sarney presidem, presidiram o Congresso nos anos Lula e Dilma. (Sem esquecer ACM com FHC, e Sarney, de novo até agora.) Sim, temos assistido a um duelo de gigantes!
 
A propósito: no final de semana, Eduardo Cunha, do Rio de Janeiro e patrocinado pelo governador Sergio Cabral, foi eleito líder deste PMDB aí.
 
Apesar de tais currículos espantosos, espanta esse espanto apenas na ocasião. O procurador Roberto Gurgel, por exemplo.
 
Gurgel teve dois anos e meio para denunciar Renan, e isso num escândalo que desembestou por entre palácios e currais desde o longevo 2007. Gurgel só o fez às vésperas da eleição. O procurador deve achar que esse é um país de trouxas. Vai ver ele tem razão.
 
E o afável Renan Calheiros? Renan, que conhecia o governo que trabalhou para eleger, e ao qual serviu como líder, ajudou a mídia a derrubá-lo. Governo de Fernando Collor… o agora senador que agora ajudou a eleger Renan, como bem aponta a mídia.
 
A memória é e tem sido curta. Mas a história está aí, e registra: Em 1989, Renan era um valete de Collor. E Fernando Collor foi eleito com amplíssimo apoio e a enorme simpatia de grande porção da mídia. São as voltas que dão a política & negócios no Brasil.