Resolvi escrever este texto após a imensa tragédia que o mundo testemunhou ontem em Santa Maria/RS, em parte pelos efeitos que tiveram nas mídias sociais, mas também pelo impacto pessoal  - como pai e brasileiro – que a notícia me causou e a vários amigos e pessoas próximas, buscando também desmitificar impressões erradas que o convívio online acaba gerando.

Eu penso que a super conectividade do mundo hoje, nos torna mais parte dos eventos, ocorram onde for. É uma consequência natural fruto da convivência "online" dar-se não mais apenas com pessoas ou grupos próximos fisicamente, gerando laços com pessoas que em outra situação nunca conviveriam. Isso, aliás, vale para quaisquer fatos, sejam celebrações ou grandes tragédias. Foi assim em vários eventos recente de repercussão mundial, como os Terremotos do Japão e Haiti ou na Copa do Mundo de 2010 e os jogos Olímpicos de 2012, onde o mundo esteve mais junto. A tal recorrente sensação de "encurtamento" das distâncias não é mero acaso após as mídias sociais online terem revolucionado a comunicação e vários outros setores humanos.

Neste espaço, sempre relato o que penso sobre estas mídias, já tendo inclusive mencionado sobre o quanto elas nos "deixam" muito mais próximos de tudo e de todos (independente das barreiras geográficas), por isso mesmo as reações de solidariedade e pesar por essa imensa tragédia de hoje no Brasil chegam de todo o mundo, além de aqui afetar o País todo que percebe-se visivelmente enlutado. A mim, confesso que afetou bastante, ao ver pelas centenas de vidas jovens cessaram dessa forma, subvertendo uma lógica tácita da vida onde os filhos devem enterrar os seus pais. Escutei o relato da minha esposa, que vira algumas cenas na televisão e já vi como isso também a comovera. Sequer vi as imagens da tragédia, preferi não assistir e fiquei online tentando postar algo útil e solidário ontem, além de identificar a mesma dinâmica solidária que percebemos em momentos semelhantes.

Vi a comoção que o fato gera, como outros poucos que têm repercussão dessa magnitude. Ao mesmo tempo que testemunhei já ontem, condutas recorrentes que sempre acontecem e chegam a causar revolta e tendem a levar a conclusões precipitadas sobre o uso e a utilidade das mídias sociais sociais, mormente redes sociais como Facebook e Twitter, quando um grupo menor e bem menos representativo, publica algo que quase sempre é formatado para "chocar" a maioria. Fora os casos que são condutas criminosas, eu prefiro ignorar. Como representantes da sociedade, estas mídias têm de tudo, mas o que prefiro destacar, é a viralidade e a rapidez com a qual sentimentos nobres – como a solidariedade, o desejo de ajudar da forma que for, a compaixão – têm online. A impressão que atitudes opostas podem deixar não devem nos levar a definir o todo por uma parte. São em número muito menor e apenas repercutem porque destoam de um fluxo normal, mas cuja dinâmica própria somada à propagação espontânea e ingênua de quem tenta ajudar denunciando, acabam passando essa falsa impressão de relevância.

Quando encaramos as mídias online como um meio de comunicação sem viés algum, utilizado por bilhões de pessoas, sabemos que não há como atribuir-lhes a culpa por casos assim. Definí-las por um pequeno grupo de usuários seria, além de estaticamente um equívoco, um incentivo a opiniões que tendem a "satanizar" o moderno prevaleçam sem fundamento científico. É o que defendo, até mesmo para que milhares de demonstrações de carinho ou solidariedade não sejam ofuscadas por casos isolados de pura imbecilidade humana.

Desejo toda a força possível às centenas de pais que perderam seus filhos em Santa Maria, embora nada nem ninguém consiga confortá-los numa hora assim. Ressalto também, lembrando e cobrando nossas autoridades: que as responsabilidades sejam apuradas e os culpados punidos, as famílias recebam todo suporte que os Governos e instituições possam garantir-lhes. E que se trabalhe para que isso nunca mais se repita em nosso País, o que será uma forma de respeito MÍNIMA – e insuficiente – à memória das vítimas de hoje, mesmo sabendo que tudo que for feito não irá reparar nunca a dor que essa tragédia causou. Por mais que doa de forma pungente nos sobreviventes e familiares de todas as vítimas, é uma data para não ser esquecida nunca no Brasil.