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Terça, 10 de junho de 2008, 15h09 Atualizada às 15h28

Bazuca: "Quero filmar com a Garota Melancia"

Ricardo Brito/Terra
Carlão Bazuca, ao lado de Leila Lopes: moço de fino trato
Carlão Bazuca, ao lado de Leila Lopes: moço de fino trato

Claudio Leal

Carlão Bazuca, garante a atriz Leila Lopes, é um gentleman. Durante as filmagens do pornô Pecados e Tentações, desde já um dos clássicos da retomada do cinema brasileiro, o ator foi uma mão de tranqüilidade e companheirismo.

Certamente não foi para ela que Chico Buarque compôs "Beatriz", mas Leila também "chora num quarto de hotel". Terminada a gravação do filme de época - "meio Nelson Rodrigues, meio Jorge Amado", segundo Bazuca -, a ex-atriz global voltou ao seu quarto e chorou lágrimas de esguicho.

- Esse lance de ela ter chorado foi uma coisa dela, no quarto de hotel. Quando terminou a cena, pelo contrário, ela me abraçou: "Ah, que bom, foi tranqüilo!" - relata o parceiro.

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Dez anos de carreira em 2008, Carlão Bazuca concede a Terra Magazine uma reveladora entrevista. Primeiro, esclarece uma dúvida que serpenteia a avenida São João, em São Paulo, contorna as montanhas mineiras e dá comichão nos cais e becos da Bahia: afinal, por que Bazuca?

- Pra ser sincero, eu nem gosto muito desse sobrenome, porque parece uma coisa meio de borracheiro, meio de mecânico (...) Mas isso tem a ver com o tamanho do meu pinto. Eu tenho 22 cm. É um pouquinho acima da média do brasileiro.

Mas Leila Lopes o escolheu por ser o "menino mais romântico". As refregas da profissão fizeram o ator pornô congelar sentimentos. Não se apaixona mais por companheiras de cena. Evita rompantes de ciúme. "Eu não seguro a peteca", confessa. Para encurtar esta protocolar apresentação, um sonho de Bazuca:

- Já pensou, nos dez anos de Carlos Bazuca, rolar a Garota Melancia? Seria um ótimo presente de aniversário!

Confira a entrevista.

Terra Magazine - Como foi contracenar com um atriz que não vem exatamente da área pornô?
Carlão Bazuca - Olha, senti um pouco a pressão, a princípio. Como é que vai ser, como é que vai ser a atitude dela... Se bem que eu já tinha uma certa experiência de gravar com pessoas que já tinham uma certa experiência antes de ir pro pornô, já eram famosas. Mas posso dizer que essa foi a que eu mais senti, a Leila. Senti que a mídia ia ser grande em cima. Querendo ou não, por mais que você tenha experiência e sangue frio, isso pesa. Mas ela foi tão gente boa, tão aberta...

Ela ficou insegura? Ou já foi determinada?
É... Da parte dela eu senti insegurança em relação à cena de sexo. Porque é uma coisa nova, ela estava insegura. Normal. Pra uma pessoa desconhecida, já dá pra ficar insegura. Que dirá uma Leila Lopes. A mesma coisa que pesou pra mim, pesou pra ela também: saber que todo mundo ia ver e comentar. Normal que ela ficasse insegura. Agora, ela conversou comigo: "Carlos, me diga aí o que você acha de uma cena, o que você pensa de uma cena boa". Eu falei o que achava e ela me deu vários toques de como representar meu personagem, de como fazer melhor meu trabalho na parte de interpretação. Foi uma troca legal.

O filme é inspirado em Nelson Rodrigues, né?
Meio Nelson Rodrigues, meio Jorge Amado... Acho muito parecido com Tieta, né?

Com Tieta...
É, acho um pouquinho.

Leila disse que houve uma inovação no enredo. Há algo novo mesmo na construção da história do filme pornô?
Foi, sim. No Brasil, por mais que o diretor tenha boa-vontade, ele não tem os meios pra fazer um trabalho tão bem elaborado. E a Brasileirinhas deu os meios lá pro J.Gaspar (diretor) fazer um filme realmente com roteiro. Vou fazer dez anos de carreira em dezembro deste ano, e agora teve um texto mesmo com princípio, meio e fim. Com bastante coisa pra decorar. Já fiz vários trabalhos com história, mas não nesse nível.

Você espera receber convites de filmes, fora da área pornô?
Não, não espero, guerreiro... Eu, sinceramente, não espero. Porque o que eu quero mesmo é me dedicar a essa área, entendeu? De outro tipo de filme, não espero, não.

Por que "Bazuca"? Qual é seu potencial ofensivo?
Isso aí, cara, foi um nome dado por um diretor há muitos anos atrás. De repente, quando eu peguei a capa do filme - ele nem me perguntou nada -, estava lá: "Carlão Bazuca". Pensei: "Será que sou eu?" (risos). Mas aí o próprio pessoal, por ser uma coisa engraçada, passou a me chamar por esse nome. Pra ser sincero, eu nem gosto muito desse sobrenome, porque parece uma coisa meio de borracheiro, meio de mecânico.

Parece que está se vangloriando...
Marketing, né? É, eu nem gosto muito. Mas ficou. Quando é uma coisa diferente, engraçada, as pessoas gostam de me chamar: "Ô, Bazuca!". Mas isso tem a ver com o tamanho do meu pinto. Eu tenho 22 cm. É um pouquinho acima da média do brasileiro. Então, fizeram uma comparação engraçada e acabou pegando.

Leila Lopes chorou no final?
Não chorou na nossa frente. Esse lance de ela ter chorado foi uma coisa dela, no quarto de hotel. Quando terminou a cena, pelo contrário, ela me abraçou: "Ah, que bom, foi tranqüilo!". Mas ela estava muito tensa. Absolutamente normal, é uma coisa nova. Na hora em que ela parou e pensou em tudo, chegou no hotel, aí ela chorou. Normal, pra mulher é complicado.

Ela disse que você foi muito cavalheiro, na filmagem...
Procuro ser educado, porque acho que em uma cena tem duas pessoas. O que eu procuro fazer é deixar à vontade, seja lá quem for. Tranqüila... Pra mostar que eu não tô ali pra zoar. E ali são dois parceiros, entendeu?

Com qual mulher famosa você sonha em contracenar num filme pornô?
Ahhhhhh, rapaz! Tem muita atriz aí, cara. Nossa, a Sabrina seria maravilhosa.

Sabrina Sato?
Sabrina Sato seria maravilhosa. Ou a própria Garota Melancia... Que delícia.

Pelos atributos óbvios?
Ah, ela é um tesão. Seria muito bom se conseguisse fechar alguma coisa com ela, né? A gente fica torcendo! Fica fazendo figa pra fechar (risos).

Já rolou algum envolvimento pós-filme?
Já rolou, já rolou. No princípio da carreira, nos primeiros quatro anos eu me envolvia. Depois eu parei com isso porque o mercado pornô é tudo muito pequeno. Você acaba sabendo de tudo. Às vezes você está numa produção e a mulher por quem você está apaixonado também. Você tem que ficar perto quando alguém está fazendo cena com ela. Muito próximo.

É muito duro...
Eu não seguro a onda, já passei mal em gravação vendo uma mulher gravando com outro, não consegui fazer a minha cena. Como eu não seguro a peteca, preferi não me envolver mais. Mas, assim, procuro ter uma empatia com a atriz. Terminou ali, eu não sou muito de me envolver porque minha cabeça não segura a onda.

Você pretende fazer algo pra comemorar seus dez anos de carreira?
Nada. Não pretendo fazer nada!

Se pintasse a Garota Melancia...
Já pensou, nos dez anos de Carlos Bazuca, rolar a Garota Melancia? Seria um ótimo presente de aniversário! (risos). Mas eu nem penso nisso, campeão. O que eu quero é ser um bom ator e, de repente, passar pro outro lado, seja lá o que for: ajudante de câmera...

Quando você pretende pendurar a chuteira?
Não sei, cara. Tem atores aí... O Rocco (Siffredi), Tom Byron, Peter North, com 20 anos de carreira. Pretendo ir levando até quando eu estiver fazendo bem. Não me vejo fazendo 15 anos de carreira. Acho que com 12, 13 anos, eu já tô parando. Já tô partindo pro outro lado.

Você faz quantas cenas de sexo por semana?
Não existe uma regra. Na verdade, se eu fosse tirar uma média, por mês, seria uma média de duas cenas por semana. Mas isso é variado.

Ainda dá pra bancar o Super-Homem em casa?
Dá, dá! Até porque as pessoas não têm noção. Existe um prazer? Existe, porque você está fazendo sexo. Mas é um prazer muito controlado, é tudo muito coreografado. Você não o faz o que você quer, na posição que você quer, com a atriz... Muitas vezes você acha aquele local uma merda, está arrebentando seu joelho. Mas tem que fazer, porque é a idéia do diretor. Chega uma hora que você diz: "E eu? Não vou dar pitada aqui?". Então, às vezes você chega em casa e aí quer mesmo. Quer fazer do teu jeito. Se bem que quando eu fico duas, três semanas sem gravar, fico doido pra dar um ângulo, já começo a transar no particular, querendo dar um ângulo... A gente sente falta, mas é assim mesmo. Quando começa a gravar demais, também enche o saco.

 

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