Não, não se trata da tendência outono-inverno apresentada na última São Paulo Fashion Week; aliás, a combinação de estilos e cores flagrada por Terra Magazine seria capaz de provocar ânsias e caretas em estilistas e críticos. Falamos aqui da moda das feministas na Marcha Mundial das Mulheres. Em Belo Horizonte, nas dependências do Sesc, elas pintaram e bordaram, a seu modo, no I Encontro Nacional da organização.
Vindas de 22 estados brasileiros, elas são filhas, mães ou avós. Indígenas, negras, brancas ou amarelas. Pobres ou de classe média. Quilombolas, sindicalistas, camponesas, médicas, sem-terra, estudantes ou vereadoras.
Letícia já foi presa por colar lambe-lambe (cartaz em postes, com cola extra-forte) em defesa da legalização do aborto.
Estrela já ajudou mais de 100 mulheres a conseguir medicamento para fazer aborto.
Mariah exercita os músculos arrombando portas de edifícios abandonados, que servem de abrigo ao Movimento dos Sem-Teto.
Por quatro dias, o jeito de se vestir das mulheres do I Encontro se espalhou pela capital mineira. Colares e as batas ainda são o o grande sucesso, e são vendidos durante os intervalos das atividades em barracas improvisadas. Mas nenhuma mercadoria é tão comercializada como as camisetas. Estampados no peito elas carregam seus ideais.
O grande lançamento da estação é a camiseta em solidariedade às mulheres da Via Campesina. A mensagem é quase um out-door da radicalidade: - 8 de março - Aracruz Celulose - eu estava lá.
A peça expressa o apoio das mulheres da Marcha Mundial às suas aliadas, as que no Rio Grande do Sul invadiram o laboratório da Aracruz em protesto contra a monocultura de eucalipto.
Renata, estudante paulistana se orgulha da compra:
- Essa não é o máximo?
Com apenas 15 anos, quatro deles a militar na Marcha no Rio Grande do Norte, Risoneide comenta um episódio em que vestia uma das mais polêmicas camisetas, a que diz Eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas:
- Fui com a camiseta a um encontro da Igreja. O padre olhou feio, mas não disse nada.
O "pretinho básico" das feministas é a blusa com o logo da Marcha, criada em 2000 e com ativistas em quase 200 países. Uma mescla do símbolo que indica o feminino (o círculo com o sinal de + embaixo) e uma corrente de mulheres ao redor de um globo, de mãos dadas. Mensagem embutida: para conquistar a liberdade.
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