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Terça, 13 de junho de 2006, 22h26

Com internet, turistas viajam mais e gastam menos

Pessoas com espírito aventureiro, que colocam algumas trocas de roupa na mochila e saem pelo mundo com muita coragem e pouco dinheiro não são novidade. Agora, porém, quem está infectado pelo vírus da viagem vem recebendo auxílio da internet para visitar um país desconhecido de maneira barata: comunidades virtuais de pessoas interessadas em hospedar turistas e serem hospedadas em troca.

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Um dos mais populares sites com esse propósito é o Hospitality Club (Clube da Hospitalidade), criado em julho de 2000 por Veit Kühne, um ex-intercambista alemão. Com quase 150 mil membros de mais de 200 países, atualmente é a principal comunidade, operada apenas por voluntários e sem cobrança para os participantes.

Outro grupo que segue a mesma filosofia é o Couch Surfing Project (ou Projeto Surfando no Sofá), fundado pelo americano Casey Fenton e com quase 85 mil membros. Também gratuito, o projeto se financia pedindo doações voluntárias dos participantes e vendendo produtos pela internet, e alega já ter promovido mais de 37 mil experiências bem sucedidas para seus surfistas.

Menos popular, com cerca de 30 mil membros, é o Global Freeloaders, comunidade que, no próprio site, denomina-se grupo de "pessoas que se beneficiam da caridade, generosidade e hospitalidade de outros". Quem iniciou o site foi Adam Staines, da Austrália. Em seu grupo, porém, hospedar é um requerimento. "Peço que você retribua ao site o que você pegou. Se você visitou 20 membros, espera-se que acomode outros 20 membros, no período de tempo mais conveniente para você", escreve Adam, na página de informações aos novos membros.

O cadastramento é similar para todos. Basta ler os procedimentos e efetuar a inscrição, com seu nome, localidade e e-mail para contato. Existem ainda as opções de adicionar fotos, informações pessoais, interesses e histórico de viagens. O usuário pode escolher tornar visível seu endereço e telefone, ou repassá-los aos interessados em visitá-lo. Mas, ainda que a acomodação gratuita seja o carro de frente destes sites, o objetivo é outro.

"O Hospitality Club quer unir pessoas. Não somos um clube de estudantes ou de mochileiros, nosso membro mais velho tem 96 anos, e o mais novo tem 4. Temos médicos, professores universitários e especialistas em tecnologia da informação", conta Florian Käfer, estudante de administração de turismo internacional na Alemanha e Inglaterra, e coordenador de mídia do clube.

Há quatro meses, Annette Showell-Moosbrugger se tornou mais uma dos cerca de 3000 residentes de Berlim que participam da comunidade. Com 55 anos e 18 meses de período sabático, ela se dedica atualmente à sua grande paixão: viajar. Depois de passar por Portugal, Espanha, Holanda, Finlândia e outras cidades da Alemanha, ela se prepara para hospedar, na próxima semana, um casal de sul-coreanos de 69 anos.

"Tenho amigos do mundo inteiro e sempre viajei. Mas o Hospitality Club facilita as coisas, com a internet e uma rede de membros", explica Annette, que tem dois filhos e é divorciada. A ferramenta é atrativa não só para turistas com restrições orçamentárias, mas também para quem quer conhecer uma cultura com quem mais entende dela: os moradores locais.

"É uma maneira alternativa de viajar", segundo Florian, "porque você pode conhecer pessoas locais e ficar com uma impressão do país completamente diferente de um turista. Quando você fica em albergues, você vai conhecer só turistas dos mesmos países industrializados, mas raramente vai experimentar o verdadeiro estilo de vida do lugar onde está".

Saiba mais: www.hospitalityclub.org / www.couchsurfing.com / www.globalfreeloaders.com

 

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