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Terça, 27 de junho de 2006, 07h49

Opções para quem sofre de suor em excesso

Cristina Salaro

Se você sofre com o excesso de suor nas mãos ou axilas sabe o quanto pode ser desconfortável conviver com esta situação. Há a percepção social de estar provocando uma sensação desagradável nas pessoas a quem se cumprimenta ou a chatice de ter a camisa constantemente molhada. Até o desempenho profissional pode ser comprometido por mãos excessivamente úmidas que interferem no manuseio de documentos ou instrumentos. Também tocar a mão de seu pretendente pode ser um suplício nas fases iniciais do jogo de sedução, enquanto ela/ele não teve tempo de perceber as inúmeras qualidades que você possui...

O suor é uma forma de controle da temperatura corporal e acontece em abundância em circunstâncias fisiológicas tais como durante o exercício físico intenso e em ambientes quentes. A quantidade se suor pode variar consideravelmente de pessoa a pessoa, de acordo com a idade e raça.

Já o excesso de suor é conhecido como "hiperhidrose" e tem uma incidência em torno de 1% da população. Pode se localizar nas mãos (hiperhidrose palmar), nas axilas (hiperhidrose axilar), nos pés (hiperhidrose plantar) ou ainda no rosto ( hiperhidrose facial).

O que acontece é uma espécie de mau controle por parte do sistema nervoso, mais especificamente, há uma disfunção do sistema nervoso autônomo simpático. Explica-se: o sistema nervoso humano se divide em somático e autônomo.

O sistema nervoso somático ou voluntário é responsável pelo comando muscular, que determina a movimentação de vários segmentos corporais, além de informar sobre sensações como tato, dor, frio. O sistema nervoso autônomo é involuntário, já que exerce controle sobre inúmeras funções do nosso organismo, sem termos consciência. É o que acontece, por exemplo, com seu coração, que bate calado porém compassado enquanto você lê essa matéria, e com sua respiração basal, que tem profundidade e ritmo próprios.

Retomando, o sistema nervoso autônomo se divide em 2: simpático e antipático, digo, parassimpático. É o sistema simpático que controla a produção de suor no organismo.

Existem várias condições que podem levar à hiperhidrose, tais como: obesidade, gravidez, menopausa, doenças como o hipertireoidismo, o diabetes e gota, e algumas condições pós-trauma - paraplégicos, tetraplégicos.

"Last but not least", a hiperhidrose pode ser emocional, que se constitui no tipo mais comum. É também chamada de "cortical". Neste caso, o excesso de suor é desencadeado ou agravado por fatores ou estados emocionais, tais como uma entrevista de emprego, reuniões sociais, encontros e desencontros da vida... Uma característica interessante é que, nesses casos, a hiperhidrose melhora durante o sono, o que seria explicado pela diminuição dos impulsos nervosos, o que não acontece nos casos em que a condição é desencadeada por doenças orgânicas.

O tratamento da hiperhidrose deve visar sua causa e é geralmente conduzido por médico dermatologista, que pode contar com ajuda de outros profissionais, como psicólogos. No caso da hiperhidrose emocional, é fundamental que cada um perceba quais as circunstâncias em que ela ocorre. O primeiro passo é ter consciência da natureza psicossomática deste distúrbio, ou seja, saber que a sua cabeça tem influência (e muita) sobre seu corpo.

Se você estiver passando por situações estressantes, uma alternativa seria encará-las sob um ponto de vista alternativo. Já diz o ditado "não importa o problema, mas como você encara o problema". Neste quesito, a psicoterapia pode desempenhar uma ajuda e tanto.

Soluções tópicas (de uso externo), manipuladas ou industrializadas, podem ajudar. Existe um tratamento chamado iontoforese, que consiste na imersão das mãos em uma espécie de bacia que conduz energia, que pode reduzir significativamente o suor das mãos.

Outra modalidade relativamente nova de tratamento é a aplicação de toxina botulínica (o popular "Botox" ou "Dysport") nas áreas de sudorese. Essa toxina bloqueia as terminações nervosas que estimulam o suor. A aplicação requer múltiplas injeções com uma agulha bem pequenininha, nas palmas das mãos e nas axilas. Requer anestesia local, dura em torno de 6 meses mas, prepare o bolso, pois custa caro.

O último recurso seria a cirurgia, realizada por cirurgião torácico. Esse procedimento requer anestesia geral e é realizado através de um pequeno corte no tórax, onde corta-se ou clampeia-se (grampea-se) o nervo responsável. Os riscos são os mesmos que os de qualquer cirurgia sob anestesia geral, tais como reação alérgica e infecção. Como efeito colateral devo citar a sudorese reflexa, ou seja, pára o suor nas mãos ou axilas, mas passa-se a suar no tronco. Isto ocorre em 30 a 60% dos casos. Na maioria dos casos é bem tolerada e não chega a ser um problema considerável, conforme relato de quem já se submeteu a esta modalidade de tratamento.

Se você sofre com suor excessivo, viu que há muitas alternativas para seu problema. Incomodada ficava minha avó, não é mesmo?


Cristina Salaro é dermatologista, pós-graduada pela Harvard Medical School.

Excepcionalmente hoje, Maria Falcão não escreve.


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