Terra Magazine

› Terra Magazine › Cultura › Música

Segunda, 10 de julho de 2006, 08h18

Festival de Belém terá Malcher, Verdi e Mozart

Rose Amanthéa*

O Theatro da Paz abriga neste ano a quinta edição do Festival de Ópera de Belém, evento que resgatou não apenas a identidade da bela casa de espetáculos, mas a tradição paraense na música erudita, que tem uma platéia diversificada e ávida por ópera. São esperadas mais de 10 mil pessoas nas apresentações deste ano. Somando as quatro edições, o Festival já recebeu mais de 55 mil espectadores.

» Yara, o encanto amazônico
» Theatro da Paz simboliza auge do Ciclo da Borracha

» Veja fotos do Festival de Ópera de Belém

A tradição é registrada pela história. Belém sediou a vida de grandes compositores de ópera, como Carlos Gomes, Meneleu Campos, Henrique Gurjão, Paulino Chaves e Waldemar Henrique.

A cidade tem um dos conservatórios de música mais antigos do País, com mais de cem anos: o Conservatório Carlos Gomes, para o qual o próprio maestro foi trazido e que foi responsável por muitas "fornadas" de músicos de alta qualidade e por larga história de serviços prestados. Entre eles, a ousadia de dar as condições necessárias para se criar e manter em Belém uma orquestra sinfônica e, nos últimos cinco anos, possibilitar à cidade não apenas apresentar como também produzir óperas de qualidade.

Lenda Amazônica

Neste ano, a temporada começa no dia 4 de agosto e termina em 6 de setembro. Uma das maiores lendas da Amazônia, retratada na ópera Yara, composta há mais de 100 anos pelo paraense José Cândido da Gama Malcher (1853-1921), é a grande atração da programação, que inclui ainda a montagem da ópera Rigoletto, de Giuseppe Verdi, além de homenagens especiais aos 250 anos do compositor alemão Wolfgang Amadeus Mozart.

Gilberto Chaves, diretor geral do festival, revela que a iniciativa de trazer à tona a ópera de Gama Malcher faz parte da proposta Secretaria de Cultura do Estado de recuperar a memória musical do compositor paraense do século XIX. Yara é uma ópera sobre o imaginário amazônico, daquilo que está na cabeça de todos os amazônidas, resume. No ano passado, a apresentação de Bug Jargal, do mesmo autor, foi um sucesso.

O secretário executivo de Cultura, Paulo Chaves Fernandes também elogia a homenagem a compositores que estavam relegados ao ostracismo. A ópera desafia o tempo e se retempera na sensibilidade das novas gerações, onde o novo pode estar na reedição do antigo recriado tanto quanto o velho pode estar na aventura do que se pretende o novo.

A obra de Gama Malcher, junto com mais outros três compositores paraenses, também será o foco do CD O Canto Lírico da Belle Époque, que será lançado pela Secretaria de Cultura como parte da programação do festival, no dia 26 de agosto. Interpretado pela soprano Patrícia Oliveira, o disco traz canções de quatro compositores paraenses do final do século XIX: Yara, de Gama Malcher, Idália, de Henrique Gurjão, e canções inéditas de dois grandes músicos daquela época, Paulino Chaves e Meneleu Campos.

Rigoletto

O Festival também oferece grandes títulos do repertório internacional. Todo ano, desde a primeira edição em 2002, é apresentada uma obra-prima, como Carmen, de Bizet, Madame Butterfly, de Puccini, A Flauta Mágica, de Mozart e Macbeth, de Verdi.

Neste ano, é vez do Rigoletto, de Giuseppe Verdi, que terá estréia no dia 31 de agosto, com reapresentações nos dias 2 e 4 de setembro. A brasiliense Lys Nardoto fará o papel de Gilda, filha de Rigoletto e uma das personagens principais da história.

Cada ópera apresentada leva pelo menos um ano para ser produzida. O projeto se inicia com a pesquisa da obra que será apresentada ao público e inclui uma série de etapas, como planejamento de cenários, figurinos, iluminação, além dos ensaios de orquestra, coro e solistas. O processo envolve, no mínimo, 350 pessoas.

A montagem requer também o esforço de uma verdadeira fábrica. O cenário de Madame Butterfly, por exemplo, que abriu o Festival do ano passado, consumiu mais de duas toneladas de material, como madeira, pregos e elementos da cultura japonesa. O figurino da ópera Bug Jargal, que encerrou o evento, demandou um quilômetro e meio de tecido.

Mozart

Em homenagem aos 250 anos de Mozart, o festival trará, no dia 12 de agosto, o concerto As Heroínas de Mozart. Seis sopranos encarnarão famosas heroínas das óperas de Mozart, como a Rainha da Noite (de A Flauta Mágica), Dona Elvira, Zerlina e Dona Ana (Don Giovanni), Condessa e Suzana (Bodas de Fígaro) e Fior di Ligi (Così fan Tutte).

O recital reunirá as sopranos paraenses Alpha de Oliveira, Márcia Aliverti, Dione Colares, Patrícia Oliveira e Carmen Monarcha e a brasiliense Lys Nardotto, que serão acompanhadas pela Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, sob regência de Mateus Araujo.

Como acontece todos os anos, o Festival de Ópera será encerrado com concerto ao ar livre, em frente ao Theatro da Paz.

* Rose Amanthéa é jornalista.

Terra Magazine

Busque outras notícias no Terra

Terra Magazine América Latina, Veja a edição em espanhol

Argentina Chile Colômbia Equador Estados Unidos México Peru Venezuela