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Segunda, 10 de julho de 2006, 08h19

Yara, o encanto amazônico

Rose Amanthéa

Yara, o encanto amazônico No livro Maestro Gama Malcher, publicado no ano passado, o historiador Vicente Salles sintetiza o enredo da ópera: O argumento trata da sedução do jovem Begiuchira pela rainha das águas. Sabendo que o amor de Yara é a morte e a perdição, mas não podendo viver sem ele, Begiuchira abandona os seus e encontra a morte no seio das águas. Tudo muito simples, como argumento, mas que se estende por três atos, todos eles finalizados por concertante coral, havendo um prelúdio e, de permeio, várias cenas de danças indígenas, descreve Salles.

Segundo o historiador, a ópera, que se passa na Amazônia, traz uma série de inovações, que seriam aproveitadas posteriormente por outros compositores brasileiros, como Carlos Gomes e Villa-Lobos.

Com a ópera Yara, subia ao palco, pela primeira vez, o motivo amazônico e a intenção clara e determinada de o artista brasileiro exprimir o nacionalismo, expressão estética gerada no bojo do romantismo. O caráter nacionalista do libreto também se anuncia no aproveitamento de motivos populares, instrumentos típicos da região amazônica e, pela primeira vez, cantos indígenas na língua nheengatu. Malcher antecipou-se, portanto, a Heitor Villa-Lobos (1887-1959) no revestimento musical de palavras indígenas.

O papel principal da ópera será interpretado pela jovem soprano paraense Carmen Monarcha, vencedora da segunda edição do Concurso Internacional de Canto Bidu Sayão, que acontece todos os anos no Theatro da Paz, em Belém. Atualmente, a cantora mora e trabalha na Holanda, e em breve vai se transferir para o Canadá.

Yara terá ainda o segundo colocado do 7º Bidu Sayão, disputado neste ano: Leonardo Neiva, barítono brasiliense que já atuou em óperas como O Barbeiro de Sevilha (Rossini), La Bohème (Verdi) e O Anel do Nibelungo (Wagner).

Na montagem para o Festival, a lenda terá uma visão contemporânea, adianta o diretor cênico, Cleber Papa. Vamos contar a lenda seguindo as indicações da partitura, mas também com elementos que a identifiquem como um espetáculo nitidamente nascido dentro da cultura amazônica, diz.

A regência será do maestro carioca Roberto Duarte, que também fez a revisão da partitura. A ópera terá ainda o balé da Cia. de Dança Ana Unger e o Coral Marina Monarcha, na pele de ninfas, índios e caçadores.

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