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Quarta, 12 de julho de 2006, 14h47

Ação da polícia teve avanço, diz especialista

a Alexandre Xavier

O crime organizado voltou a demonstrar sua força em São Paulo. Na madrugada desta terça-feira, 48 ataques em diferentes pontos do Estado deixaram pelo menos quatro pessoas mortas, segundo balanço divulgado pelo governo estadual. Cinco suspeitos foram presos.

O coronel da reserva da PM de São Paulo José Vicente da Silva Filho, pesquisador para a área de segurança pública do Instituto Fernand Braudel, disse em entrevista ao Terra Magazine que houve avanços da polícia paulista, mas ainda há muito por fazer. E admite que os policiais podem ter se aquartelado quando atacados durante a madrugada.

José Vicente foi coordenador do programa de governo na área de segurança pública de Mário Covas (1994) e membro do grupo de formulação do programa de segurança pública do governo FHC (1994). Foi também Secretário Nacional de Segurança Pública entre julho e dezembro de 2002 e consultor contratado do Banco Mundial para assuntos de organização e operação policial.

Terra Magazine: É verdade que houve uma espécie de aquartelamento da polícia, tanto agora quanto na ocasião dos últimos ataques? Essa é a maneira correta de reagir?
José Vicente da Silva: Consta que isso aconteceu. E é normal que aconteça. Num primeiro momento, a polícia recua porque as delegacias estão sob ataque, os policiais são os alvos mais vulneráveis e, como no caso de hoje, a população não estava sendo atacada. Os alvos eram os policiais e, na madrugada, o efetivo é menor, pois há menos ocorrências. É a hora em que o crime organizado age.

É só de madrugada? De manhã a polícia volta às ruas?
Isso, de manhã volta ao normal. O efetivo pela manhã já é maior.

Qual o erro em que o governo que persiste desde os últimos ataques do PCC?
O erro da última vez que o governo busca reparar é o de inteligência. Eles estão tentando restituir o sistema de inteligência, mas ele não melhorou muito.

Houve falha de novo?
Falharam porque não detectaram os novos ataques, mas a polícia já havia monitorado uma grande ação do crime organizado antes. E os atentados desta madrugada não foram eficientes.

A polícia teve avanços desde a última vez, então.
Sim, eles já estavam alertas desde a última vez. E a coordenação dos novos atentados não foi eficiente, eles são desconexos, não têm nada de organizados. A polícia trabalha inclusive com a hipótese de que algumas ocorrências foram simplesmente atos de vandalismos sem relação com o PCC.

Há pouca relação com os últimos ataques que pararam a cidade?
Há um fator psicológico aí. Os eventos estão próximos um do outro. Mas não podemos fantasiar que existe uma grande e refinada organização criminosa, não é assim.

O que falta para a prevenção de novos ataques?
Mais importante que recursos financeiros, falta modernizar a estrutura obsoleta da polícia. Precisa haver um trabalho coordenado entre as várias polícias. O ideal, na verdade, seria ter uma polícia só. Falta um 'google' que dê para todas as forças informações sobre os criminosos. Falta, sobretudo, inteligência.

Não falta também combater os policiais corruptos? Eles não beneficiam o crime organizado?
Todo crime organizado necessita de policiais corruptos. Eles formam uma cooperativa. Mas um bom sistema de inteligência identificaria esses policiais e evitaria o problema. Os tiros contra a polícia, de certa forma, vêm da própria polícia.

O Estado tem condições de vencer essa guerra logo?
O Estado sempre vence. Não há ameaça à ordem pública, ao Estado. Temos mil assaltos por dia e sempre parece que a situação está fora de controle...

E a intervenção do exército é bem-vinda?
De maneira nenhuma. O governo federal, em três anos, não fez nada pela segurança pública. E você já imaginou encontrar um soldado do Piauí na esquina da Ipiranga com a São João?

 

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