a Alexandre Xavier
Os novos ataques promovidos nesta semana pelo PCC no Estado de São Paulo revelam a "incompetência do governo federal e estadual em combater o crime organizado", segundo Walter Maierovitch, presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone e especialista em crime organizado.O ex-secretário Nacional Antidrogas (1998-2000) é contrário à avaliação exposta na quarta, no Terra Magazine, pelo ex-secretário nacional de Segurança Pública e coronel da reserva da PM de SP José Vicente da Silva Filho (leia a entrevista com José Vicente). Maierovitch diz que "de maneira nenhuma" houve avanço na ação da polícia desde os atentados de dois meses atrás.
Desde a noite da última terça, oito pessoas morreram em 106 ataques no Estado de São Paulo. A polícia prendeu 8 suspeitos e 2 foram mortos. Quinze caixas-eletrônicos foram depredados. Os ônibus foram os principais alvos - 68 incendiados no Estado, sendo 42 na capital.
Da Itália - de onde participa de um encontro de especialistas internacionais em terrorismo, crime organizado e arapongagem -, Maierovitch falou ao Terra Magazine.
Dá para dizer que houve avanço da polícia, já que os ataques desta vez foram de menor intensidade?
Walter Maierovitch: De jeito nenhum. O simples fato de a polícia dizer que melhorou mostra que ela está despreparada. Dizer que foram 10 ataques a mais ou a menos ou que morreram 10 pessoas a mais ou a menos é maniqueísta, é não saber enfrentar o problema. É um escapismo. O PCC tem 11 anos e está mais vivo do que nunca.
Seus colegas estrangeiros ficaram surpresos com o que está acontecendo no Brasil?
Sim, ficaram surpresos com o fato de que o Estado brasileiro não consegue quebrar a comunicação entre a cúpula do PCC e sua base. Esse quadro que se apresenta desde terça (11) em São Paulo mostra a incompetência do governo federal e estadual em combater o crime organizado. Para se ter uma idéia, é um país que nem tem código penitenciário. No Estado de São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública nem sequer se entende com a secretaria de administração penitenciária.
Os novos ataques eram previsíveis?
Eram previsíveis, não há política de segurança pública no Brasil.
E podemos esperar ataques com mais frequência?
Podemos esperar ataques toda vez que o Estado for incompetente. Portanto...
Há como evitar novos atentados no curto prazo?
Não tem jeito, não há o que fazer no curto prazo. Tem de mudar tudo, começar tudo de novo. Há um problema de gestão que tem de ser totalmente alterado, as polícias têm de se integrar, o governo tem de bolar uma política de segurança.
Existe alguma razão para o PCC atacar alvos civis como aconteceu agora?
Eles querem pressionar o Estado para que seus chefes tenham mais privilégios no sistema carcerário. Os ataques não são em prol da organização e sua estrutura como um todo, não visam melhorar o modo como eles financiam o crime. Desta vez, querem apenas beneficiar alguns líderes do bando. É pelo interesse da cúpula, não do grupo. E isso, com o tempo, enfraquece a organização.
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