Terra Magazine

 

Terça, 18 de julho de 2006, 08h00

Entrevista com Anuska Prado, 31, ex-miss Brasil

a Bob Fernandes

Você foi miss?
Anuska Prado: Sim, Miss Espírito Santo e Miss Brasil, há 10 anos.

O que você responde quando te perguntam se faz programa?
Que não faço. Sou casada, almoço em casa todos os dias com meu maridinho, fiz psicologia, estudo no Centro Integrado de Moda -Cimon-, em Belo Horizonte, e desfilei para a Daspu porque apóio a causa, como já desfilei para o Lar Fabiano de Cristo, de crianças órfãs, na cidade onde me criei, Governador Valadares...

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Mas alguém já te ofereceu...
Já. Quando era Miss Brasil. Me ofereceram uma Mercedes e uma cobertura aqui em São Paulo. Encarei a proposta com naturalidade, foi feita de forma educada, e respondi: não, não faço isso. Como nunca posei nua, embora respeite, tenha amigas que já fizeram, apenas não é minha praia...

Que tipo de mulher te incomoda, e você não respeita?
As que vivem no faz-de-conta. As que fazem o tipo "mocinha bem comportada" quando isso é apenas uma mentira, quando isso é apenas um disfarce para encontrar o "bom casamento". Isso é o fim. Fazem esse tipo para fora e entre elas fingem grandes histórias.

Por que você não respeita isso?
Porque é falso, é falta de coragem, de atitude na vida e, pior, é inútil, porque apenas a pessoa não sabe que as pessoas sempre sabem qual é verdadeiramente a dela. Assumam quem são, do que gostam, de quem gostam. Esse ditado "digam-me com quem andas e te direi quem és", é uma furada. Essas meninas andam sempre juntas, vivem juntas o faz-de-conta, uma achando que está enganando a outra e a todos, e quase sempre se dão mal.

Com o que você trabalha hoje?
Compro e vendo roupas, principalmente biquínis, para países europeus, mais a Itália - tenho uma grife de biquinis, Anuska, feitos em Divinópolis - e também vendo roupas feitas por mulheres de uma penitenciária em Minas.

Como você veio parar aqui no desfile da Daspu?
Estou aqui para o São Paulo Fashion Week, tenho ido, vou ver o desfile do Ronaldo Fraga, e num dia lá conheci a Rafa, estilista da Daspu. Ele me convidou para desfilar e achei legal. Apóio a causa, não tenho preconceitos. Não bebo, não uso nada, sou careta, mas tenho amigos e amigas de todos os tipos, que fazem tudo e usam tudo. Encaro tudo numa boa, meus amigos me apelidaram de "Anjo", pois acho tudo normal.

Você desfilou, fotos serão publicadas, você não teme que te confundam?
Minha mãe, meu marido Ricardo, sabem que desfilei, acham normal, eu apóio a causa da Daspu, uma ONG que cuida de mulheres que precisam desse apoio, não vejo problemas. Quanto ao preconceito, fui miss, modelo, e sempre há quem te chame de "prostituta" quando você está numa carreira como essas...

 

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