
Bob Fernandes
Terra Magazine entrevistou com exclusividade o delegado superintendente da Polícia Federal, Joaquim Claudio Figueredo Mesquita que detalhou a Operação Dominó, realizada desde a manhã desta sexta no estado de Rondônia e que levou à prisão de 23 autoridades. Entre elas, o Presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Carlão de Oliveira, o Presidente do Tribunal de Justiça, Sebastião Teixeira, o ex-Procurador-Geral de Justiça do Estado, José Carlos Vitachi, o Vice-Presidente do Tribunal de Contas do Estado, Edílson de Souza Silva e mais juízes, funcionários públicos.
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O delegado recusou-se a responder apenas uma pergunta, que continha uma informação obtida por TerraMagazine: além dos 22 deputados investigados, e das 23 autoridades já detidas, a lista entregue aos conselhos nacional do Ministério Público e da Magistratura tem ainda o nome de magistrados e procuradores do Estado que estão sendo investigados.
Terra Magazine - Quando começaram as investigações?
Delegado Mesquita - Há um ano, com autorização do Ministério da Justiça.
A partir de que fatos?
Fatos relacionados à Assemebléia Legislativa; tentativa de suborno (NR: divulgada pelo Fantástico) gravada pelo governador do Estado, Ivo Narciso Cassol. A partir daí, a políca investigou.
Valeu-se dos instrumentos de sempre: gravações autorizadas etc?
Valeu-se dos instrumentos de sempre, sempre com autorização.
Vocês chegaram ao que com as investigações?
À quadrilha, na verdade, uma organização criminosa que envolvia quase todos os comandos de instituições do Estado.
As informações extra oficiais que temos são de que 22 dos 24 deputados estão sendo investigado e teriam sido presos se não houvesse imunidade.
É isso aí. A Assembléia tinha um esquema de laranjas que recebiam como se fossem funcionários públicos, outro esquema de contratos fraudados, com produtos e serviços suspostamente adquiridos junto a cerca de 20 empresas e cujo dinheiro dava a volta e retornava numa operação centralizada no presidente da Assembléia.
Como a Polícia Federal conseguiu romper esse circuito?
Fomos ao Superior Tribunal de Justiça, que nos autorizou uma ampla invetigação.
Com que dificuldades vocês se depararam?
Com uma quadrilha que domina o Estado e que se auto acobertava. Todas as vezes, antes de irmos ao STF, em que tentávamos medidas para coibir a continuidade desse esquema, eles usavam os seus poderes e impediam a ação da polícia. Com a autorização pudemos investigar toda a organização criminosa.
Que outras conseqüências haverá a partir das prisões?
Primeiro, a polícia vai enviar o resultado disso tudo aos conselhos nacional do Ministério Público e da Magistratura, com um relatório, no qual se pede a investigação de outras autoridades.
Quantos agentes participaram da ação?
Participaram da ação 300 policiais dos estados de Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso, Acre e Rondônia.
Terra Magazine tem a informação de que magistrados e procuradores estão sendo investigados.
Não sei... Esse é um assunto sobre o qual não posso falar.
Redação Terra
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