
Magno Carvalho, diretor do Sintusp, diz está perplexo com a repercussão do boletim e diz que o sindicato prega o fim do Estado de Israel desde da Guerra do Golfo.
Terra Magazine - Quando vocês defenderam o fim do Estado de Israel no boletim, vocês imaginavam essa repercussão?
Magno de Carvalho - Estamos perplexos, não imaginávamos. Não temos nada contra o povo judeu, mas contra o Estado genocida de Israel. Desde a Guerra do Golfo defendemos isso. Levamos faixas pedindo o fim do Estado de Israel em atos e já publicamos em boletins antigos e não teve repúdio. Estamos recebendo e-mails nos atacando e também e-mails em solidariedade.
Por que vocês acham que a reação foi tão forte dessa vez?
Eles estão indignados principalmente porque estão em uma posição delicada, sendo criticados até pelos jornais mais pró-americanos e pró-israelenses, se queimaram até com os neutros, e estão apavorados com isso. Quando você está acuado você reage.
O que vocês estão fazendo para se defender do inquérito policial que a Federação Israelita de São Paulo quer abrir?
Ainda não fizemos nada, estamos aguardando. A comunidade árabe colocou dois procuradores, um de São Paulo e outro de Guarulhos, à nossa disposição.
Por que vocês defendem o fim do Estado de Israel?
Defendemos o fim do Estado de Israel porque o Estado de Israel é um enclave militar criado artificialmente com o apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos no fim da Segunda Guerra, com imigração forçada, e defendendo interesses imperialistas, tanto pelo Canal de Suez, que é estratégico, quanto pelo petróleo. É um lugar que já estava povoado e que está em guerra há 50 anos e vai continuar em guerra, tanto é que Israel tem o quarto maior exército do mundo para uma população muito pequena.
O que mais vocês defendem?
Nossa posição é pelo fim do Estado de Israel e a criação do Estado palestino laico, onde caibam todos, palestinos, israelenses, árabes.
Como será o ato do dia 25?
Convocamos um debate antes de tudo isso, com um objetivo limitado, para conselheiros do sindicato, com o motivo de politizar o debate. Agora o ato tomou novo rumo. Terá a participação da Federação Israelita de São Paulo, de um judeu que inclusive morou em um kibutz comunidade israelense por muitos anos, da Confederação Árabe Palestina do Brasil e da União Árabe, que é próxima do Hezbolá, e vende camisetas e produtos do Hezbolá. Teremos inclusive muçulmanos que querem fazer a reza antes do ato.
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