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Terça, 22 de agosto de 2006, 19h14

Conflito no Oriente Médio acirra os ânimos na USP

Roteiro de como transportar um conflito do outro lado do mundo para o Brasil, mais especificamente para a Universidade de São Paulo, a USP. O Sintusp, Sindicato dos Trabalhadortes da USP, convocou para dia 9 de agosto um ato público "contra o massacre no Líbano e na Palestina". O ato, desejava o sindicato, aconteceria no anfiteatro Camargo Guarnieri, na USP. Professores ligados à federação paulista israelita pediram informalmente à Reitoria que o ato não fosse realizado neste local, por entender que manifestações de cunho partidário dessa natureza e intensidade não podem se dar naquele anfiteatro.

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A manifestação aconteceu no dia marcado, às 17h, e então o Sintusp pregou "o fim do Estado de Israel". Em boletim posterior para seus filiados, divulgado a partir do dia 11, repetiu o refrão e acusou: "A Reitoria mostrou-se subserviente às 'poderosas' forças dos imperialistas e dos genocidas judeus". Isso posto, e desta forma, a Adusp, Associação dos Docentes da USP, posicinou-se contrariamente ao Sintusp. Terra Magazine ouviu as partes envolvidas nessa polêmica que, via internet, se ampliou nos últimos dias e reproduz como simulacro um conflito que infelicita um outro lado do mundo.

A Terra Magazine o Sintusp reafirma sua posição "pelo fim do Estado de Israel" e, é possível dizer tanto, lança uma proposta que deve ser inédita no mundo: "Pela criação do Estado palestino laico, onde caibam todos, palestinos, israelenses, árabes..."

A Adusp, por seu lado, informa por meio do seu vice-presidente, Francisco Miraglia, ter participado do ato "na condição de convidada" e que "discorda da opinião do Sintusp". Posicionamento esse que não excluiu o envio de protesto formal à Reitoria "contra a proibição do uso do anfiteatro" por parte dos manifestantes.

O geógrafo Aziz Ab'Saber, professor emérito e proeminente personalidade da Universidade de São Paulo, participou do ato. Ouvido por Terra Magazine, relatou que, embora fosse contra a proibição do ato por parte da Reitoria, e tenha se deparado com "gente muito braba" na manifestação, desconhecia até agora o teor do boletim do Sintusp:
- Tá assim? Eu não sabia. O problema agora seria resolver o Estado Palestino, e não acabar com o Estado de Israel. Esse boletim é da alçada de pessoas que não são árabes nem israelenses.

A Federação Israelita, em palavras do seu vice-presidente Ricardo Berkiensztat, admite ter pedido a professores que trabalhassem contra o ato no anfiteatro da universidade:
- A USP não permite uma manifestação com esse cunho num lugar público.

Na quinta-feira (17), a Federção Israelita entrou com um pedido na Procuradoria Geral de Justiça contra o conteúdo do boletim que pedia o fim do Estado de Israel.

A assessora de imprensa da Reitoria, Márcia Furtado Avanza, disse:
- A Reitoria cedeu, inicialmente, o anfiteatro achando que seria uma mesa redonda sobre o conflito no Oriente Médio, mas a cessão do anfiteatro foi cancelada quando se soube que seria um ato público contra o Estado de Israel.

O Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE) foi ouvido, por meio do diretor Frederico Alves, mas não quis se posicionar sobre o boletim.

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