
Luciano Borges
A direção do São Paulo se orgulha de ser rápida e esperta para revelar novos craques e desenvolver promessas talentosas. Mas uma delas escapou da rede tricolor e hoje está na seleção brasileira. Trata-se do segundo volante Lucas, do Grêmio. Ele é são-paulino e, três anos atrás, teve que decidir entre duas propostas, uma do Grêmio e outra do time paulista. Optou pelos ares gaúchos.
Lucas, de 19 anos, foi observado pelo técnico Cilinho, então responsável pelas divisões de base do São Paulo. Na época, ele ainda jogava na equipe do ex-zagueiro Oscar Bernardes, que mantém um Centro de Treinamento em Monte Sião (MG) e uma equipe de jovens em Amparo (Sp), na divisa ao lado. Lucas recebeu elogios pela capacidade de desarmar e partir para o jogo.
Mas praticamente na mesma semana, o garoto participou de um amistoso entre o 7 de Setembro de Dourados (MS), onde nasceu, e o Grêmio. Os gremistas foram rápidos e já propuseram levá-lo para Porto Alegre. Segundo o pai do atleta, o cirurgião dentista Jackson Farah Leiva, Lucas ficou com receio de encarar a grande metrópole. Escolheu a capital gaúcha, porque o lado materno é de lá e a cidade parecia mais segura. Hoje, Lucas vive sozinho, em apartamento que comprou com dinheiro ganho no Grêmio.
DNA de craque
A novidade da Seleção Brasileira de Dunga tem pedigree na bola. Ele é sobrinho de Leivinha, ídolo do Palmeiras nos anos 70 e titular do Brasil no Mundial de 74. O tio jogou vários anos no Atlético de Madrid que, hoje, tenta contratar Lucas no final do ano.
O namoro com o time madrilenho é antigo. Vem de um torneio disputado em Barcelona em 2003. Lucas jogou pela Seleção Brasileira Sub-17. "Eu liguei para amigos do Atlético e pedi para que dessem uma olhada nele. E ele jogou muito bem", conta Leivinha.
Somente neste ano, quando Lucas subiu de vez para o time profissional do Grêmio, um diretor do Atlético veio ao Brasil acompanhado do ex-zagueiro Luis Pereira (amigo de Leivinha e diretor do clube espanhol) em duas ocasiões. Juntos com o Dr. Jackson, eles assistiram a um Gre-Nal e ao confronto entre Grêmio e Juventude. Lucas se saiu bem nas duas ocasiões. "Agora a conversa é entre os clubes", diz o pai.
Lucas está tirando passaporte europeu. Ele tem ascendência espanhola (paterna) e italiana (materna). Deve conseguir o documento até o final do ano. Mas, se não fosse pelo dinheiro, ele preferiria permanecer no Brasil. Ele tem contrato até 2009 e detém 20% dos direitos federativos.
O volante iniciou estudos de Educação Física, mas teve que parar pela seqüência de jogos. Já entrou em campo, somente nesta temporada, 44 vezes. É o atleta que mais atuou pelo grupo gremista. E marcou sete gols, três deles no Campeonato Brasileiro.
A família Leiva tem outros bons jogadores, além de Leivinha e o sobrinho Lucas. O irmão mais velho do novo convocado de Dunga se chama Guilherme e é médico veterinário. Foi um competente meia direita quando garoto, mas se apaixonou por outro esporte: o laço. A família é unida. O pai Jackson é quem contou a Lucas que ele tinha sido chamado para o amistoso contra o Kuwait. Lucas esperava a convocação. No Rio Grande do Sul, a imprensa local já especulava o interesse de Dunga e de Branco (responsável pelas divisões de base da CBF) no seu futebol.
Terra Magazine
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