Atualizada às 20h05 Bob Fernandes
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, errou. Não existiram os grampos telefônicos no TSE por ele denunciados. O laudo oficial da Polícia Federal, em fase de conclusão, será divulgado amanhã, e apontará a inexistência do grampeamento.
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Na noite de domingo, dia 17, o TSE e seu presidente já começavam a se manifestar. Disse Mello que os telefones estavam grampeados e que ele iria encaminhar ainda na segunda um ofício à presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Ellen Gracie, e ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, para que fossem abertos processos de investigação sobre o episódio.
Há seis dias, em entrevista, ele perguntava: "A quem interessa isso?", e avançava: "é muito sintomático que tenham grampeado os telefones de três ministros do TSE. O episódio revela a quadra que estamos vivendo". Disse ainda: "não acredito que eles vão ser descobertos".
Os dois peritos da PF que investigaram o caso e confirmaram a inexistência dos grampos detectaram a "anomalia" que teria levado a empresa Fence (Consultoria Empresarial LTDA) a cometer o equívoco: É grande a distância entre os telefones dos ministros supostamente grampeados - Marco Aurélio de Mello e Cezar Peluso, no STF, e Marcelo Ribeiro, no TSE - e a conexão principal da empresa telefônica prestadora de serviço. Portanto, há a necessidade de uma conexão, que está localizada a 60 metros dos telefones. Ali havia uma emenda entre cabos para que a comunicação chegue à empresa prestadora de telefonia.
Inexistem ali ou em todo o circuito grampos telefônicos, constataram os peritos da Polícia Federal. E isso será apontado nos relatórios a serem divulgados oficialmente amanhã.
O delegado da PF que conduz o inquérito, Emanuel Henrique de Oliveira, deve ouvir ainda hoje o depoimento dos proprietários da empresa Fence para definir exatamente o que ocorreu. Ressalte-se que a empresa não afirmou explicitamente que havia grampos e, sim, alertou para a possibilidade de tal ter acontecido. Diante dessa hipótese, o diretor-geral do TSE, Athayde Fontoura Filho, convocou a imprensa para as declarações que deram origem a mais este escândalo.
A Polícia Federal apurou não ser a primeira vez que a Fence, teoricamente capaz de fazer varreduras completas, chegou a conclusões do gênero, e vai investigar se a empresa tem toda a qualificação técnica e aparelhagem para tanto. A assessoria do Tribunal informa ainda que a varredura das linhas telefônicas é feita por diversas empresas há nove anos.
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