Terra Magazine

 

Segunda, 9 de outubro de 2006, 18h03

Sérgio Cabral marca audiência com grupo gay

Antoine Morel e Karen Cunsolo

Após a polêmica retirada da proposta de emenda constitucional que reconhecia a união estável de homossexuais em troca de apoio do bispo Crivella no segundo turno, o candidato do PMDB ao governo do Rio, senador Sérgio Cabral (PMDB), telefonou para uma importante organização que luta em favor da causa para esclarecer melhor este ponto.

Foi Cláudio Nascimento, coordenador do Grupo Arco Íris, que recebeu o telefonema de Cabral e afirmou que o candidato agendou para amanhã, às 15h, na sede da campanha, uma audiência com a organização. "Ele ligou para marcar a reunião e disse que vai explicar melhor sua posição", disse Nascimento. A conversa será intermediada pelo deputado Carlos Minc, parceiro de Cabral em uma lei estadual que concede o direito a pensão a companheiros do mesmo sexo de servidores públicos estaduais.

Na sexta, Nascimento havia criticado duramente Cabral e havia dito que não via necessidade de correr atrás do candidato. Para ele, "quem está no prejuízo é ele. Ele vai perder 1 milhão e 50 mil votos desse jeito". (leia mais aqui)

Cabral foi procurado na sexta por Terra Magazine e respondeu nesta segunda por e-mail. Veja a entrevista do candidato abaixo:

Terra Magazine - O senhor tem algum projeto voltado especificamente para a comunidade gay em seu plano de governo do estado?
Sérgio Cabral - Eu tenho uma lei estadual de minha autoria com o deputado Carlos Minc, uma lei de 2001 muito importante, reconhecendo os direitos previdenciários dos parceiros ou parceiras do mesmo sexo. Ou seja, o servidor público que tem uma relação estável com o parceiro ou parceira do mesmo sexo, comprovando isso, tem direito às condições e todos os benefícios previdenciários dados aos funcionários públicos heterossexuais. Isso é uma questão de justiça, é uma lei minha e do deputado Carlos Minc e como Governador do estado, será implementada. Hoje há problemas na execução dessa lei e, ganhando a eleição, essa lei será totalmente respeitada no nosso governo.

Depois da polêmica da retirada do projeto de emenda, o que o senhor pretende fazer para reconquistar a simpatia dos militantes pelos direitos dos homossexuais?
Os que acompanham o meu trabalho e a minha luta pelos direitos civis sabem que os meus compromissos com as minorias, com o direito de cidadania, com os direitos civis, sempre foram os mesmos e continuarão sendo. Quem confia em mim, confia no meu trabalho, sabe que eu não preciso fazer nenhum discurso diferente do que eu sempre fiz. Por isso eu tenho certeza que as pessoas conscientes e que acompanham o meu trabalho votarão na minha candidatura para governador.

Está confirmado o encontro com representantes da ONG Arco-Íris? Essa organização sempre teve um contato muito amplo, transparente e direto comigo, a hora que eles desejarem o encontro eu estarei à disposição.

 

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