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Terça, 10 de outubro de 2006, 07h54

Herpes simples e suas manifestações

Maria Falcão

O vírus do herpes é um dos mais difíceis de controlar. É importante, assim, que as pessoas entendam como ele age, para que possam se prevenir, principalmente porque se estima que 85% da população mundial já tenha tido contato com o vírus, ou seja, são portadores.

Existem dois tipos de vírus do herpes simples, o tipo 1 e o tipo 2. O tipo 1 (HSV- 1) é o causador habitual de úlceras labiais. Nesse caso, geralmente a infecção se dá através do contato com secreções da boca ou em torno da boca. O tipo 2 (HSV- 2), por sua vez, normalmente causa o herpes genital e sua transmissão acontece mais através de relação sexual com um portador do vírus, seja durante uma crise (quando o portador apresenta lesões) ou em períodos onde não há sinais ou sintomas.

Há poucos anos pensava-se que o tipo 1 estava mais relacionado com o herpes labial e o tipo 2 com o herpes genital. Hoje as pesquisas têm mostrado que ambos os tipos podem estar relacionados com qualquer uma das manifestações. Assim, o HSV-1 também pode causar herpes genital, porém mais comumente causa infecções na boca e lábios, e o HSV-2 pode causar erupções na boca e lábios, mas está mais associado a lesões na região genital.

Os primeiros sinais e sintomas, em ambos os tipos, aparecem geralmente no período de 14 dias após a infecção e podem permanecer por semanas - na primeira manifestação, esses sintomas costumam ser mais graves. Tipicamente aparecem como bolhas que estouram, deixando feridas que podem levar de duas a quatro semanas para sarar na primeira vez que ocorrem. Geralmente outra erupção pode aparecer semanas ou meses depois da primeira, mas quase sempre é menos severa e dura menos tempo. Outros sintomas que podem acompanhar a primeira manifestação da infecção, e que são menos freqüentes em manifestações posteriores, são: febre, dor de cabeça, dores musculares, dor ou dificuldade para urinar.

Uma vez dentro do organismo, os vírus entram numa fase "quieta", esperando para "atacar" e causar novas infecções. Essas novas infecções são as recorrências. Algumas pessoas nunca têm recorrências, outras só de vez em quando, e outras, freqüentemente. Nas recorrências, antes que se apresentem as lesões, podem aparecer sintomas iniciais de advertência, tais como ardor e coceira, no mesmo local onde surgiram as lesões da primeira infecção ou muito próximo a ele.

Ainda não se sabe exatamente o que faz com que o vírus volte a provocar as lesões. Consideram-se como fatores prováveis: tensão emocional, fadiga, mudanças bruscas de temperatura, menstruação, trauma e exposição à radiação ultravioleta e outras doenças.

Tratamento

Apesar de não haver cura para o vírus do herpes, o médico pode prescrever um medicamento antiviral para tratar os sintomas e prevenir manifestações futuras. O uso desses antivirais também pode diminuir o risco de transmissão, em caso de contato com indivíduos não infectados.

Prevenção

Devido ao risco de transmissão do vírus mesmo na ausência de sintomas, a prevenção se torna complicada. Existe um medicamento relativamente novo, o valaciclovir (Valtrex), que se tomado continuamente pela pessoa infectada, pode prevenir a transmissão do vírus - é importante mencionar aqui que esse medicamento apenas reduz as chances de transmissão, mas não garante segurança total.

Outra forma de prevenção é o uso de preservativos durante as relações sexuais. Esse método também reduz as chances de infecção, porém não as abole completamente, já que esta pode acontecer através do contato com outras áreas infectadas e que não são cobertas pelo preservativo.

Complicações

Geralmente as infecções pelo vírus do herpes não causam problemas mais sérios em adultos saudáveis. Em pessoas com comprometimento do sistema imune, entretanto, as manifestações podem ser severas e duradouras.

Ocasionalmente, as pessoas podem ter herpes do olho, que é causado geralmente pelo HSV-1. Essa infecção pode causar problemas oculares sérios, inclusive levar à cegueira. Uma mulher com herpes e que esteja grávida pode transmitir a infecção para o bebê. Um bebê que nasce com herpes, por sua vez, pode vir a óbito ou ter sérios problemas no cérebro, pele ou olhos. Assim, mulheres grávidas que tenham herpes, ou cujo parceiro seja portador, devem discutir essa situação com o médico para a elaboração de um plano que reduza as chances de contaminação do bebê.


Maria Falcão é médica e mestre em jornalismo científico pela universidade de Londres.

Fale com Maria Falcão: falcaomaria@terra.com.br

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